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Ruínas de cidade submersa de 2,5 mil anos são descobertas na ‘Pompeia ucraniana’

Restos submersos de antiga colônia grega conhecida como "Pompeia ucraniana", de 2,5 mil anos atrãs, são descobertos na costa da Crimeia

Por Éric Moreira

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.

 

Mar Negro, com suas águas profundas e misteriosas, revelou um dos achados arqueológicos mais intrigantes da atualidade: uma estrutura subaquática de pedra que pode ser vestígio da antiga colônia grega Quersoneso, situada na parte sudoeste da atual Crimeia. Este feito foi realizado por arqueólogos que, nos últimos tempos, intensificaram suas investigações na área.

As primeiras referências às ruínas de Quersoneso datam de 1827, quando o governo russo iniciou a exploração do local. Desde 2013, essas ruínas — que incluem templos, residências e um teatro — foram reconhecidas como Patrimônio Mundial pela UNESCO, consolidando-se como um importante sítio para estudos arqueológicos e atração turística.

Recentemente, uma equipe liderada pelo pesquisador Vladimir Glazunov, da Universidade de Mineração de São Petersburgo, fez novas descobertas significativas. Entre os achados está uma extensa muralha de pedra, parcialmente exposta em terra firme, com medidas estimadas de 23 metros de comprimento e 10 metros de largura. Os especialistas acreditam que essa estrutura pode ter integrado o sistema defensivo da cidade ou até mesmo ter sido parte de um complexo hidráulico ligado à gestão costeira.

A escavação também trouxe à tona uma variedade de artefatos do período medieval, incluindo fragmentos de cerâmica, elementos decorativos em mármore e um recipiente de calcário destinado ao consumo de bebidas. Devido ao seu estado excepcional de preservação, a cidade passou a ser referida como “Pompeia ucraniana” e ganhou o título mítico de “Troia russa” por sua relevância histórica.

História de Quersoneso

A denominação “Quersoneso” origina-se do grego e significa “península”, refletindo sua localização geográfica. A cidade funcionou não apenas como um ponto estratégico para observação das rotas comerciais no Mar Negro, mas também como um local de exílio para figuras históricas notáveis, como o Papa Clemente I, o Papa Martinho I e o imperador Justiniano II.

Fundada há cerca de 2.500 anos por colonos oriundos de Heracleia Pôntica, Quersoneso experimentou seu declínio após um ataque dos mongóis em 1299. Registros bizantinos indicam que a cidade ainda era mencionada em 1396, sugerindo que seu abandono ocorreu logo após essa data.

O território da cidade foi habitado por diversas civilizações ao longo dos séculos, incluindo gregos, romanos, hunos e bizantinos. Essa diversidade cultural se reflete nas construções locais, que apresentam influências arquitetônicas variadas, destacando-se as imponentes muralhas bizantinas.

O sítio arqueológico abrange extensas áreas anteriormente utilizadas para cultivo, conhecidas como “choras”. Os arqueólogos descobriram vestígios dessas terras férteis, agora estéreis, onde antes havia prensas de uvas e torres defensivas. Além disso, registros indicam que a produção vinícola era uma importante atividade econômica da cidade.

Com uma rica herança cultural e histórica, o sítio arqueológico abriga edifícios públicos, residências e monumentos cristãos primitivos. Vestígios das eras Paleolítica e Bronze também foram encontrados, incluindo bem preservadas infraestruturas para cultivo de vinhedos e sistemas aquáticos romanos, repercute a Revista Galileu.

No entanto, as escavações enfrentam desafios significativos devido ao crescimento urbano nas proximidades. O aumento populacional e a urbanização trazem preocupações sobre a proteção do sítio histórico. Além disso, especialistas alertam para os riscos ambientais impostos pela erosão costeira que podem comprometer futuras pesquisas em Quersoneso.

Fonte: https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/ruinas-de-cidade-submersa-de-25-mil-anos-sao-descobertas-na-pompeia-ucraniana.phtml

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