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Saulo Benício anuncia desfiliação do PSOL RJ e aponta desigualdades internas e desafios da Baixada Fluminense

O produtor cultural e liderança comunitária de Nilópolis, Saulo Benício, anunciou oficialmente sua desfiliação do PSOL no Rio de Janeiro. A decisão foi tornada pública por meio de uma carta aberta divulgada nas redes sociais, na qual o ativista faz um balanço de sua trajetória política, aponta desigualdades internas no partido e reafirma seu compromisso com as pautas populares da Baixada Fluminense.

Na carta, Saulo relata que, ao longo dos anos de militância, apresentou internamente sua insatisfação com a desvalorização da atuação política em Nilópolis e em outros municípios da Baixada. Segundo ele, o PSOL mantém uma forte base social, militante e eleitoral em áreas de classe média e regiões centrais do Rio de Janeiro, mas enfrenta dificuldades em dialogar de forma concreta com as demandas da população periférica.

“Essa realidade não atinge apenas a mim, mas é um padrão vivido por muitos companheiros e companheiras que constroem o trabalho de base na Baixada Fluminense”, afirma Saulo no documento.

O produtor cultural relembra sua trajetória como jovem negro, morador de Nilópolis, ex-mototaxista e entregador por aplicativo, além da participação ativa em greves nacionais da categoria e negociações com empresas e governos. Filiado ao PSOL desde 2015, Saulo destaca que ingressou na universidade por meio das políticas de cotas e se lançou candidato a vereador em 2024, conquistando mais de 1.160 votos com uma candidatura popular e de esquerda.

Um dos pontos centrais da carta é a crítica à distribuição de recursos do fundo partidário. Saulo afirma ter recebido R$ 9 mil para a campanha, valor que, segundo ele, evidencia uma desigualdade estrutural quando comparado aos recursos destinados a candidatos da capital e da Zona Sul, em sua maioria brancos, em detrimento de candidaturas negras e periféricas da Baixada.

A carta também contextualiza o cenário político nacional e estadual, mencionando os impactos da pandemia durante o governo Bolsonaro, a violência política na Baixada Fluminense e a dificuldade de manter a militância ativa sem apoio estrutural e financeiro consistente.

Apesar da desfiliação, Saulo Benício afirma que seguirá atuando nos movimentos sociais, especialmente no campo da cultura, e reafirma seu alinhamento com pautas progressistas, como o combate às desigualdades sociais, a defesa da democracia e a valorização dos saberes regionais e ancestrais da Baixada Fluminense.

“Continuarei minha atuação política priorizando o diálogo entre os diferentes campos progressistas, buscando articular recursos, políticas públicas e soluções concretas para Nilópolis, para a Baixada Fluminense e para o estado do Rio de Janeiro”, conclui.

A carta de desfiliação é assinada também por apoiadores e companheiros de militância, entre eles Lucas Lopes, Yasmin Barcelos, Rian Gouvêa e Estevão Gouvêa, reforçando que o debate levantado por Saulo ultrapassa uma decisão individual e dialoga com desafios estruturais da política partidária no estado.

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