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Defesa Civil interdita Igreja São João Batista, uma das construções mais antigas de Itaboraí

Templo do século XVII segue interditado após risco de desabamento; paróquia cobra início das obras e autorização do Iphan para restaurar o patrimônio histórico

Paróquia São João Batista, no Centro de Itaboraí, foi interditada preventivamente pela Defesa Civil municipal na semana passada após a constatação de risco de colapso parcial no telhado. O templo, uma das edificações mais antigas do município e tombado pelo Iphan, foi construído no século XVII.

A inspeção contou com o apoio de uma grua e de imagens de drones, o que permitiu identificar com mais precisão o estado da estrutura. Em nota, a Prefeitura de Itaboraí informou que a interdição é preventiva e tem o objetivo de evitar acidentes até que sejam realizadas as obras de recuperação do templo.

Segundo o padre Rafael, não há previsão para o início das intervenções. Ele explica que, por se tratar de um bem tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), qualquer reforma depende de autorização e acompanhamento técnico. O pároco lembrou ainda que, no ano passado, uma empresa chegou a vencer licitação para executar a restauração, mas o projeto não saiu do papel. A paróquia já cobrou diversas vezes uma solução das autoridades e, caso o Iphan não avance com as obras, pede autorização para arrecadar recursos entre os fiéis e promover os reparos com recursos próprios.

O templo é também alvo de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal, que cobra a restauração e a preservação da estrutura.

Séculos de história

A Capela de São João Batista foi erguida em 1670 por João Vaz Pereira, inicialmente em pau-a-pique. Nove anos depois, em 1679, passou a ser classificada como curato de Itaborahy e, em 18 de janeiro de 1696, foi elevada à categoria de paróquia por ato régio da coroa portuguesa.

Com o passar dos anos, a construção original entrou em ruínas e, entre 1725 e 1746, foi totalmente reconstruída em pedra e cal — estrutura que se mantém até hoje, embora tenha passado por diversas intervenções ao longo do tempo. O interior abriga seis altares laterais, três deles em estilo D. João V e os outros três em traços rococó e neoclássicos, além de um teto em abóbada de berço e corredores laterais característicos da arquitetura sacra do período colonial.

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