
Por Adriana Rezende, Felipe Freire, Bom Dia Rio – https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2025/09/24/operacao-blasfemia-contra-estelionato-religioso.ghtml
A Polícia Civil do RJ e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) iniciaram nesta quarta-feira (24) a Operação Blasfêmia, contra um esquema de estelionato religioso via telemarketing com atuação em todo o país. Segundo as investigações, o grupo cobrava até R$ 1.500 por “promessas de cura” e “milagres” e movimentou pelo menos R$ 3 milhões em 2 anos.
Agentes saíram para cumprir 3 mandados de busca e apreensão e medidas cautelares. Luiz Henrique dos Santos Ferreira, o Pastor Henrique Santini ou Profeta Santini, é apontado como chefe do esquema. A Justiça determinou o uso de tornozeleira eletrônica, o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens.
“Essa organização criminosa em nada tem a ver com um culto religioso. A intenção era arrecadar dinheiro e enganar os fiéis”, afirmou o delegado Luiz Henrique Marques, da 76ª DP (Centro de Niterói).
Ao todo, 23 pessoas foram denunciadas e se tornaram rés pelos crimes de estelionato, charlatanismo, curandeirismo, associação criminosa, falsa identidade, crime contra a economia popular, corrupção de menores e lavagem de dinheiro. As penas podem chegar a 29 anos de prisão.
‘Perseguição’
Santini estava em casa, em um condomínio na Barra Olímpica, e resistiu a abrir a porta para a polícia. A equipe ameaçou arrombá-la e conseguiu entrar. Foram apreendidos computadores, documentos, celulares e dinheiro em espécie.
À TV Globo, ao sair para prestar depoimento, Santini declarou estar vítima de perseguição religiosa. Ele afirmou ter formação em teologia e trabalhar há mais de 10 anos como pastor, pregando em 2 igrejas.
“Sou surpreendido com um mandado de busca e apreensão, e até agora não encontraram nada que pudesse me incriminar. Colaborei, dei todas as coisas possíveis. Eu entendo isso como uma perseguição religiosa.”
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Luiz Henrique dos Santos Ferreira, o Pastor Henrique Santini ou Profeta Santini — Foto: Reprodução
Como era o esquema
Com 9 milhões de seguidores nas redes sociais, Santini divulgava vídeos de mensagens religiosas com números de telefone e links para grupos no WhatsApp.
“Santini fazia gravações previamente editadas, e quando o fiel entrava em contato achando que estava falando com ele e pedia orações para uma enfermidade específica, entrava esse áudio. Ao final, era sempre pedida uma contribuição”, descreveu o delegado.
Essas “doações espirituais” eram via PIX e variavam entre R$ 20 e R$ 1.500, conforme o tipo de oração oferecida.
O grupo operava a partir de escritórios de telemarketing em Niterói e São Gonçalo, onde pelo menos 70 atendentes simulavam ser Santini. “O profeta Santini, visando a aumentar a arrecadação, contratou pessoas sem nenhuma experiência religiosa para se passar por ele pelo WhatsApp”, disse o delegado.
Esses funcionários eram contratados em plataformas on-line e recebiam comissões conforme o volume arrecadado. Documentos apreendidos revelam metas rígidas de desempenho e até dispensas por baixa arrecadação.
Ainda segundo Luiz Henrique Marques, dinheiro dessas contribuições não ia para conta da igreja, mas para a de terceiros.
A investigação teve início em fevereiro, quando a polícia descobriu um call-center onde foram flagradas 42 pessoas realizando atendimentos virtuais. Na ocasião, 52 telefones celulares, 6 notebooks e 149 cartões pré-pagos de telefonia móvel foram apreendidos. A análise desse material confirmou a atuação coordenada do grupo e permitiu identificar milhares de vítimas em todo o território nacional.
As investigações continuam para identificar novas vítimas e possíveis integrantes da organização criminosa.
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Luiz Henrique dos Santos Ferreira, o Pastor Henrique Santini ou Profeta Santini — Foto: Reprodução
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Agentes cumprem mandado na Casa dos Milagres, em Niterói, na Operação Blasfêmia — Foto: Reprodução/TV Globo
Polícia Civil realiza operação contra call center que cobrava por orações em Niterói
Fonte: https://www.policiacivil.rj.gov.br/news/12701
Policiais civis da 76ª DP (Niterói) deflagraram, nesta quarta-feira (24/09), uma ação contra uma quadrilha que, se passando por um pastor, cobrava de fiéis para fazer orações, prometendo curas e milagres. Os criminosos atuavam a partir de uma central de telemarketing, no Centro de Niterói. A “Operação Blasfêmia” é realizada em conjunto com o Ministério Público.
O objetivo da ação é o cumprimento de mandados de busca e apreensão em decorrência de inquérito da 76ª DP que apurou os crimes de estelionato, charlatanismo, curandeirismo, associação criminosa, falsa identidade, crime contra a economia popular, corrupção de menores e lavagem de dinheiro. As investigações revelaram uma estrutura sofisticada de telemarketing religioso, onde dezenas de atendentes eram contratados por meio de anúncios em plataforma on-line de vendas. Os selecionados, sem qualquer vínculo religioso com a instituição, eram orientados a se passarem pelo líder religioso durante atendimentos via WhatsApp.
Durante as conversas com as vítimas, os atendentes simulavam ser o pastor de uma igreja de São Gonçalo, utilizando áudios previamente gravados com promessas de curas e milagres, condicionadas à realização de transferências bancárias via pix. Os valores cobrados variavam entre R$ 20 e R$ 1,5 mil, conforme o “tipo de oração” oferecida. Para dar vazão ao grande volume de arrecadações, o grupo se utilizava de uma rede de contas bancárias registradas em nome de terceiros, dificultando o rastreamento das movimentações financeiras. Os atendentes eram remunerados por comissões proporcionais à arrecadação semanal e submetidos a metas rígidas de desempenho. Aqueles que não atingiam o valor mínimo estipulado eram dispensados.
A investigação teve início em fevereiro deste ano, quando a polícia identificou a existência de um call center, onde foram flagradas 42 pessoas realizando atendimentos virtuais. Na ocasião, 52 telefones celulares, 6 notebooks e 149 cartões pré-pagos de telefonia móvel foram apreendidos. A análise desse material confirmou a atuação coordenada do grupo e permitiu identificar milhares de vítimas em todo o território nacional.
Durante a apuração, foi realizada também investigação financeira, que identificou movimentações superiores a R$ 3 milhões em um período de dois anos. Com base nos elementos colhidos, foram decretados o sequestro de bens e o bloqueio de contas bancárias dos investigados, bem como de empresas a eles vinculadas.
Nessa primeira fase, o pastor e outros 22 integrantes do grupo foram denunciados. Além disso, foi deferida medida cautelar de monitoramento por tornozeleira eletrônica em face do pastor. As investigações seguem com o objetivo de identificar novas vítimas e eventuais participantes da organização criminosa.




