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Rumo ao Oscar: compare os caminhos de ‘Agente Secreto’ e ‘Ainda Estou Aqui’

Filme de Kleber Mendonça Filho foi anunciado nesta segunda-feira como representante brasieiro na premiação

Por Paulo Henrique Silva  –  https://www.otempo.com.br/entretenimento/2025/9/15/rumo-ao-oscar-compare-os-caminhos-de-agente-secreto-e-ainda-estou-aqui

 

A esta altura, no ano passado, “Ainda Estou Aqui” tinha acabado de ganhar o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Veneza e começava a crescer o burburinho sobre o filme dirigido por Walter Salles virar o representante do Brasil no Oscar de 2025. A confirmação só aconteceria no dia 23 de setembro. Em seguida, Salles e a dupla Fernanda Torres e Selton Mello iniciariam um périplo por vários festivais e exibições especiais para garantir um lugar na premiação máxima da indústria cinematográfica.

Essa jornada, que funcionou muito bem com “Ainda Estou Aqui” (primeiro filme brasileiro a ganhar o Oscar, na categoria de Melhor Produção Internacional), já vem sendo feita por “O Agente Secreto”. O longa-metragem de Kleber Mendonça Filho foi anunciado hoje (15/9), pela Academia Brasileira de Cinema, como o escolhido oficial do país, uma formalidade para uma obra que vem intensificando a campanha para o Oscar desde maio, quando ganhou a Palma de direção e de ator, para Wagner Moura.

Diferentemente de “Ainda Estou Aqui”, que carregava a responsabilidade de trazer um Oscar inédito para o Brasil, “O Agente Secreto” iniciou a campanha de divulgação buscando uma vaga nas principais categorias, como filme, direção, ator e atriz coadjuvante. Há pouco mais de uma semana, um texto da “Variety”, publicação americana especializada em cinema, colocava o longa entre os favoritos dessas categorias. A maratona de festivais também começou cedo, passando por Sidney, Paris, Lima, Telluride e Toronto.

Grande parte desse impulso se deve à parceria com a distribuidora Neon, que está investindo bastante na promoção de “O Agente Secreto”. Nome e experiência ela tem de sobra – com menos de dez anos de fundação, a Neon levou o Oscar principal por “Parasita”, em 2020, e “Anora”, no ano passado. “Ainda Estou Aqui” também teve uma distribuidora de ponta por trás. Sem a Sony, talvez não teria aparecido entre os dez indicados ao grande prêmio, na primeira vez que o Brasil entrou nesse seleto grupo.

Representantes do que já podemos afirmar como a melhor safra do cinema brasileiro em termos de reconhecimento internacional, “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” vão se encontrar no dia 19 de outubro, quando Salles apresentará o filme pernambucano numa sessão especial realizada justamente no Museu da Academia, em Los Angeles. É como se fosse uma passagem de bastão simbólica, evidenciando a construção de uma cinematografia coesa e pujante num momento político importante.

As condições se mostram ainda mais favoráveis para “O Agente Secreto”, mas tudo dependerá, principalmente, dos concorrentes. No ano passado, o francês “Emilia Perez” vinha embalado, antes de “flopar” na reta final devido a declarações polêmicas da atriz espanhola Karla Sofía Gascón. Até agora não há nenhuma grande unanimidade para 2026, mas já despontam “Depois da Caçada”, de Luca Guadagnino, com Julia Roberts; “Marty Supreme”, com Timothée Chalamet; e “Hamnet”, de Chloé Zhao.

Anúncio dos indicados ao Oscar será em janeiro

A turnê mundial da equipe de “O Agente Secreto” vai se intensificar nos próximos dias, já que, exatamente daqui a três meses, a Academia de Artes e Cinematográficas de Hollywood anunciará a shortlist com os países pré-selecionados. Depois, em 22 de janeiro, haverá o anúncio dos indicados em todas as categorias. A cerimônia de premiação acontece em 15 de março.

“Nossa campanha começou em maio, no Festival de Cannes, e agora segue mais forte ainda”, assinala Kleber Mendonça Filho, sobre a confirmação da seleção. “Trabalharemos muito para o levarmos o mais longe possível, representando a força do cinema brasileiro no mundo”, comemora a francesa Emilie Lesclaux, produtora do filme e esposa do cineasta.

Com lançamento nacional em 18 de novembro, também entrando em salas de mais de 90 países da América do Norte, América Latina, Europa, Ásia e Oceania até o final do ano, “O Agente Secreto” venceu a disputa “caseira” sobre os filmes “Baby”, de Marcelo Caetano, “Kasa Branca”, de Luciano Vidigal, “Manas”, de Marianna Brennand, “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, e “Oeste Outra Vez”, de Erico Rassi.

A disputa mais acirrada parecia ser com “Manas”, também premiado no Festival de Cannes, com o troféu “Women in Motion”. A bandeira de gênero foi um dos argumentos (era o único concorrente dirigido por mulher), além do apoio de nomes de peso, como Sean Penn e Julia Roberts.

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