
A fila para embarcar nos ônibus da linha 548 (Botafogo—Alvorada), uma das que substituíram o serviço do Metrô na Superfície, tem vários passageiros oriundos do metrô, que fazem a integração usando exclusivamente o Jaé: desde sábado, esses passageiros pagam R$ 7,90 na integração entre o metrô e a linha, desde que com o Jaé em mãos. O que se viu foram usuários que, nesta segunda-feira, estão enfrentando dificuldades no embarque são orientados por equipes da prefeitura presentes no local a embarcarem pela porta traseira, sem necessidade do pagamento da tarifa, em casos considerados excepcionais.
Primeiro, os agentes da prefeitura orientam esses passageiros a se cadastrarem no Jaé, recarregar o cartão pelo aplicativo ou comprar um cartão físico avulso — há funcionários vendendo no local, com mínimo de R$ 15 de carga. Se forem esgotadas todas essas possibilidades, sem sucesso, a pessoa é orientada a embarcar por trás. O mesmo aconteceu para quem tem o cartão, mas teve problema na hora de passar no validador, e até com quem estava sem dinheiro vivo.
A mudança em definitivo para o novo sistema de bilhetagem, que substitui o Riocard nos transportes públicos do Rio desde o último sábado, ainda causa dúvidas, reclamações e problemas de embarque, muito por conta de informações erradas, e pegou a muitos desprevenidos. Nesta manhã, primeiro dia útil da entrada em vigor do sistema. O prefeito Eduardo Paes, garantiu que “ninguém vai deixar de embarcar”.
Por sua vez, o Rio Ônibus, respondeu que “o pagamento da passagem é obrigatório para embarcar nos ônibus, seja por meio do Jaé ou em espécie”. O sindicato que representa as empresas disse também que estava em contato com a Secretaria municipal de Transportes (SMTR) para se informar sobre os problemas enfrentados na hora do embarque e solicitar providências.
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Alguns passageiros que não têm cadastro no Bilhete Único Intermunicipal (BUI), destinado a quem tem renda de até R$3.205,20, estão sendo barrados na catraca do ônibus. Após desembarcar, eles têm sido orientados por funcionários da prefeitura.
Caso sejam esgotadas todas as possibilidades de solução do problema e a pessoa não tenha dinheiro, por exemplo, os funcionários da prefeitura estão embarcando pessoas pela porta de trás, gratuitamente. Equipes da Subprefeitura da Zona Sul, por exemplo, estão divididas entre os principais pontos de ônibus entre a Rocinha e o Catete para essa orientação, com foco em quem está indo para o trabalho.
A babá Claudia Nascimento, que sai de metrô Inhaúma até Botafogo, onde embarca num ônibus até o Jardim Botânico, foi barrada no ônibus com seu cartão. Ela reclamou que o RioCard não estava passando no validador.
— E o que a gente faz com o crédito? — indagou, acrescentando que pediu, por telefone, R$ 10 emprestados no PIX, pra recarregar seu Jaé. — É ridículo isso — se queixou.
Desde sábado, o Jae é o único bilhete aceito nos modais municipais (ônibus, BRT, VLT, vans e cabritinhos). Mas há uma exceção: passageiros beneficiários do BUI, que podem seguir usando o Riocard
Equipes da Secretaria municipal de Ordem Pública acompanhavam as filas em Botafogo, mas não houve registros de confusão.
O vereador Pedro Duarte (Novo), presidente da Comissão de Assuntos Urbanos, afirmou que pedirá o adiamento da exclusividade do Jaé. O parlamentar disse que sua equipe registrou problemas na rua, como falha na integração entre modais municipais, ou filas extensas para recarregar o cartão.
— Vamos juntar tudo isso e falar para a prefeitura que não dá para colocar exclusividade do Jaé enquanto isso não se resolver — afirmou o parlamentar, que estava acompanhando a movimentação na estação de Botafogo do metrô. — A população não pode pagar o pato porque a prefeitura e o governo do estado não se entendem.
1 milhão de passageiros com o Jaé
De acordo com balanço divulgado pela SMTR no início da tarde desta segunda-feira, a primeira manhã de dia útil com operação exclusiva do Jaé nos transportes municipais registrou 1 milhão de embarques com o novo bilhete até o meio-dia, o que representa 80% do total de passageiros transportados no período. Na segunda-feira anterior, até o mesmo horário, haviam sido contabilizados 374 mil embarques com o Jaé.
Nos últimos 30 dias, o valor de recargas no sistema chegou a R$ 152 milhões. Ainda segundo a pasta, o primeiro fim de semana de operação exclusiva teve cerca de 2 milhões de embarques, o dobro do registrado no fim de semana anterior. O Metrô, que também passou a aceitar pagamentos com o Jaé, registrou mais de 30 mil embarques com o bilhete no fim de semana.
Por João Vitor Costa – https://extra.globo.com/rio/noticia/2025/08/jae-em-casos-excepcionais-equipes-da-prefeitura-estao-orientando-usuarios-a-embarcarem-de-graca-nos-onibus.ghtml




