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Zélia Duncan comemora 40 anos de carreira

No ano em que comemora quatro décadas de trajetória artística, Zélia Duncan teve que adiar comemorações para enfrentar desafios nunca antes vividos tanto na vida pessoal quanto profissional. Quem ouvir Pelespírito, novo álbum de Zélia Duncan que acaba de chegar às plataformas digitais pela Universal Music, se depara com um disco totalmente de músicas inéditas feito durante um dos períodos mais sombrios para a humanidade, e em especial para o Brasil.

Zélia Duncan usa a palavra ‘essencial’ para definir o que representa o seu mais novo álbum Pelespírito, lançado recentemente, que faz parte da comemoração dos seus 40 anos de carreira, assim como o disco Minha voz fica, também deste ano. Com 15 faixas inéditas, Zélia transmite a mistura de sentimentos em meio a uma pandemia e explora diferentes estilos musicais, como folk, rock, blues e sertanejo. “Era muito importante que o disco tivesse o meu sentimento como nunca. Ele (Pelespírito) tem o meu essencial, não daria para fazer um disco meu sem a Zélia e sem o violão”, conta a artista.

O parceiro de composição foi Juliano Holanda, poeta e produtor pernambucano que esteve ao lado de Zélia durante todo o processo de criação do novo álbum. “O nosso encontro deu o tom desse disco. Ele ficou muito disponível para a parceria, isso é muito importante”, explica a cantora. As faixas Onde é que isso vai dar? e O que se perdeu? representam diálogos de Zélia com Juliano, o que escancara a importância da sintonia dos dois para o disco.

A gravação de Pelespírito ocorreu inteiramente durante a pandemia, nos estúdios improvisados em casa. Zélia Duncan contou com a ajuda de Webster Santos, músico da banda da cantora que participou da produção do disco. “Webster me ensinou os primórdios do programa para gravar, usei uma interface e um microfone e comecei a fazer”, conta Zélia, e complementa ao dizer que “todos os passos desse disco foram muito emocionais, muitas lágrimas rolaram, tanto de aflição na hora de fazer, porque era exatamente o que eu estava sentindo, quanto de emoção e alegria de ver que a gente conseguiu”.

Além de expressar os próprios sentimentos durante um momento turbulento, Zélia Duncan faz declarações de amor nas faixas Nossas coisinhas, para Flavia, companheira da cantora; Sua cara, para o pai, que morreu em dezembro de 2020; e Eu e vocês, dedicada aos fãs. A artista também presta homenagem às mulheres vítimas de violência durante a pandemia na música Você rainha e fala sobre o desejo de buscar um novo Brasil na canção Eu moro lá. “Eu quero um Brasil onde a gente possa voltar a sonhar com a nossa evolução. O país estava longe de ser um lugar justo, mas ele não era essa guerra declarada com o que há de humano na gente. Eu já vivi o suficiente para ter visto momentos de muita esperança e até de felicidade em relação ao nosso povo. Mas a gente entrou numa vibe de ódio e de ode à ignorância”, declara Zélia.

Zélia Duncan nasceu em Niterói (RJ) e se mudou para Brasília aos 6 anos, onde morou até os 21.  Recém-mudada para São Paulo, Zélia diz que está sempre na contramão dos movimentos e casou-se com a designer Flávia Soares. Sobre o momento atual da pandemia no Brasil, ela é taxativa. “Não quero estar do lado de quem não usa máscara, de quem nega a vacina. Tenho aprendido que é preciso estarmos mais juntos para sairmos dessa. E não é o mais junto romântico. É no sentido de que, se eu não te respeitar e se você não me respeita minimamente, não vamos conseguir nada.”

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