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Vicente do Rego Monteiro, um artista plástico de renome internacional

O pernambucano Vicente do Rego Monteiro (1899-1970) foi pintor, escultor, desenhista, ilustrador e artista gráfico. Nasceu em uma família de artistas. Descendia, por parte de mãe, do pintor Pedro Américo. Artista plástico de renome internacional, Rego Monteiro articulou a primeira exposição de arte moderna europeia da América do Sul, ocorrida no Recife em 1930.

Ainda criança, iniciou seus estudos artísticos, em 1908, na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e em 1911 viajou com a família para Paris, onde passou a freqüentar a Academie Julién. Aos 14 anos teve alguns trabalhos selecionados para participar do Salon des Indépendants, em 1913. Em Paris, manteve contato com Amedeo Modigliani, Fernand Léger, Georges Braque, Joan Miró, Albert Gleizes, Jean Metzinger e Louis Marcoussis, importantes artistas modernistas. No início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), deixou a França com sua família e passou a morar no Rio de Janeiro. Em 1918, realizou sua primeira exposição individual, no Teatro Santa Isabel, no Recife, e dois ano.

A pintura de Vicente do Rego Monteiro é marcada pela sinuosidade e sensualidade. Contido nas cores e contrastes, as obras do artista nos reportam a um clima místico e metafísico. A temática religiosa é freqüente em sua pintura, chegando a pintar cenas do Novo Testamento, com figuras que, pela densidade e volume, se aproximam da escultura.

Além de Vicente ter sido um pintor requintado, escrevia poesias, tinha o gosto pela dança, venceu muitos concursos de dança de salão em Paris, foi professor no Instituto Central de Artes da UnB, adorava carros e em 1931 disputou o Grand Prix do Automóvel Clube da França, tinha gosto pela engenharia mecânica e construiu um planador e, em Pernambuco, fabricou aguardente.

Em 1946, funda a Editora La Presse à Bras, dedicada à publicação de poesias brasileiras e francesas. A partir 1941, publica seus primeiros versos, Poemas de Bolso, organiza e promove vários salões e congressos de poesia no Brasil e na França. Retorna ao Brasil, e dá aulas de pintura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE entre 1957 e 1966. Em 1960, recebe o Prêmio Guillaume Apollinaire pelos sonetos reunidos no livro Broussais – La Charité. Entre 1966 e 1968, dá aulas no Instituto Central de Artes da Universidade de Brasília – UnB.

A obra de Rego Monteiro incorporou a estética da cerâmica amazônica (a cor, o volume, a forma e a redução da figura), tornando-a uma característica marcante do modernismo brasileiro, que se propunha a resgatar, na arte, as origens do nosso povo.

Vicente do Rego Monteiro faleceu no Recife, Pernambuco, no dia 5 de junho de 1970.

 OBRAS

Vivente do Rego Monteiro pintou várias telas com temas religiosos, sempre adaptando para uma linguagem moderna, os temas tradicionais da arte sacra.

A pintura “Deposição”, também conhecida como “Pietá”, pintada em 1924, é uma tela de temática religiosa, onde o artista representa a deposição de Cristo da cruz.

Um de seus quadros mais famosos, “Mulher com Galinha” (1925), foi pintada durante sua estada em Paris. O quadro possui elementos da Art Decor, com uma temática indígena, tema muito explorado pelo pintor. É dessa época também, a tela “O Atirador de Arcos” (1925).

Com o Estado Novo, em 1938, foi nomeado diretor da Imprensa Oficial e professor de desenho do Ginásio Pernambucano, pelo então interventor Agamenon Magalhães.

Nesse período tentou ser produtor de aguardente no engenho Várzea Grande e produtor cinematográfico. Alguns de seus filmes foram exibidos na França.

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