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Uma das maiores cartunistas do Brasil, Laerte Coutinho completa 70 anos

Uma das principais cartunistas do país, Laerte Coutinho completa 70 anos na quinta-feira (10). Em janeiro deste ano, a notícia de que estava com covid-19 e sua internação na UTI mobilizou milhares de pessoas nas redes sociais.

Para celebrar a data, foi ao ar, na quinta-feira (10), o site oficial da quadrinista. A página é um desejo antigo da artista, que pretendia reunir toda a sua obra em um único espaço, para que pudesse ser consultada por seus fãs.

No site, o acervo da cartunista está catalogado por décadas, passando por suas obras publicadas no Pasquim, O Bicho, Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, entre outros veículos de comunicação onde a artista trabalhou.

BIOGRAFIA

Nascida na cidade de São Paulo no dia 10 de junho de 1951, Laerte Coutinho é uma das quadrinistas mais conhecidos do Brasil. Iniciou seus estudos universitários na ECA-USP, onde passou pelos cursos de música e comunicações, mas não terminou nenhum deles.

Suas atividades como profissional tiveram início em 1970, na revista Sibila, onde Laerte desenhava um personagem chamado Leão. Em meados dos anos 70, em conjunto com Luiz Gê, criou a revista Balão. Naquela época, Laerte ainda prestou serviços para a Placar, revista esportiva, e para a revista Banas. No ano de 1974, a cartunista teve a sua primeira oportunidade de colaborar com um jornal, quando fez um trabalho para a Gazeta Mercantil.

No fim dos anos 80, Laerte foi colaboradora e fez publicações nas seguintes revistas: Geraldão (que tinha Glauco como editor) e Chiclete com Banana, de Angeli. Todas elas faziam parte da Circo Editorial, que depois acabou lançando a revista Piratas do Tietê, de Laerte. Em 85, lançou “O Tamanho da Coisa”, sua primeira coletânea de charges publicada em livro.

Entre as principais publicações que participou, destacam-se O Pasquim e a Balão. Fora isso, Laerte foi colaboradora de veículos de mídia conhecidos como o jornal O Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo e as revistas Istoé e Veja. Alguns de seus personagens mais populares são: Overman e os Piratas do Tietê. Em criação conjunta com outros cartunistas, Glauco, Adão Iturrusgarai e Angeli, Laerte foi co-criadora e desenhista de Los Três Amigos. No ano de 2005, ele perdeu seu filho Diogo, que tinha apenas 22 anos, em um acidente automobilístico.

Em 2010, em entrevista pelo jornal Folha de S.Paulo, Laerte revelou sua opção pela prática do crossdressing publicamente, pessoas que usam roupas e objetos associados ao sexo oposto. Nesta nova etapa, fez participações em diversos programas de televisão, rádio e veículos impressos. Foi entrevistado pelo tradicional Roda Viva, programa da TV Cultura. Na ocasião, o cartunista compareceu de vestido preto, óculos e cabelos lisos e longos.

Em 2012, Laerte fundou a ABRAT, Associação Brasileira de Transgêneros, organização que, segundo seu site oficial “congrega pessoas transgêneras, seus familiares e amigos, bem como profissionais, pesquisadores e demais interessados na temática da transgeneridade, com o propósito de defender a livre expressão da identidade transgênera, os direitos civis das pessoas transgêneras e a sua maior compreensão, aceitação e inclusão na sociedade brasileira contemporânea”.

 

Cinema

Em 2012, Laerte foi protagonista do curta-metragem Vestido de Laerte, dirigido por Cláudia Priscilla e Pedro Marques. O filme foi vencedor nas categorias melhor curta e melhor direção do Festival de Cinema de Brasília 2012.

No ano de 2015, Laerte contribuiu com o documentário da cineasta Miriam Chnaiderman, De Gravata e Unha Vermelha, filme que relata a realidade de transexuais, travestis e transgêneros, adeptos do crossdressing e entusiastas debatendo sobre a construção individual do próprio corpo.

Em 2017, foi lançado o documentário Laerte-se, codirigido por Eliane Brum e Lygia Barbosa, que fala sobre o cotidiano e a transformação na arte e na vida pessoal do artista.

 

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