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Tavares da Gaita, o ‘mestre da sanfona de boca’

José Tavares da Silva, mais conhecido como Tavares da Gaita foi um compositor, percussionista, gaitista e desenhista brasileiro. Ficou conhecido como Tavares da Gaita nos anos 1970, após encontrar um “realejo” numa gaveta. Tornando-se um virtuose no instrumento, inventou uma maneira de tocar a gaita invertida de modo que ela soasse como uma sanfona, tocando de diversas maneiras.

Trabalhou como sonoplasta em uma companhia de teatro mambembe e criou vários instrumentos para a função. Intensificou suas atividades de construtor de instrumentos depois de participar do projeto Mambembe. Continuou fabricando-os por muito tempo e vendendo-os inclusive para o exterior.

O músico morreu aos 84 anos por uma infecção generalizada, decorrente à um derrame cerebral sofrido no final de março.

 Biografia

Nascido no ano de 1925, em Taquaritinga do Norte, Tavares se mudou com a família para Toritama quando completou dois anos. Ainda criança já tinha interesse pela música, mas foi na adolescência que despertou de vez a paixão pelos instrumentos.

Quando criança já participava de bandas de forró, tocando triângulo, reco-reco e ganzá. Trabalhou como alfaiate, sapateiro e marceneiro, mas teve contato com instrumentos musicais desde criança. Viveu a infância em sua cidade natal, fixando-se em Caruaru a partir de 1957.

Autodidata, aos 15 anos ele tocava triângulo, surdo, pandeiro e maracás. Não demorou muito e tão logo começou a produzir os próprios instrumentos.

Utilizando material diversificado como quenga de coco, bambu, madeiras, cabaças, e até mesmo cano de PVC, cria instrumentos que nomeia como pau-pandeiro reco-reco, acoquê, maraca apito e outros. Costuma reproduzir com o apito o canto do galo de campina ou de um sabiá. Como jazzista nato da cultura popular cria, de improviso, xotes, valsas, boleros, frevos, o que pedirem.Tem uma coleção de mais de 200 instrumentos de percussão. Seus instrumentos frequentemente merecem atenção de músicos, pesquisadores ou admiradores de sua arte, que os compram. Elé é considerado um dos patrimônios vivos de Pernambuco. Mantém em sua casa um livro com mais de 1500 assinaturas e declarações – deixadas pelos que vão conhecer sua criações e sua música.

Em 1997, o diretor cinematogáfico Roberto Berliner lançou o documentário “Tavares da Gaita”, um curtametragem colorido, de 3min, em que apresenta diversas informações sobre o instrumentista, através de imagens, acompanhadas da fala do próprio gaiteiro.

O filme ganhou o prêmio Sol de Prata no Rio Cine 1997 e Menção Especial do Juri no Mostra Internacional do Filme Etnográfico/RJ 1998. O filme contou com co-produção da TvZero e TVE Brasil. Gravou um CD nos Estados Unidos com quinze composições próprias. Nesse CD, toca gaita, percussão, ganzá, reco-reco, triângulo e diversos instrumentos que confecciona. Ainda nos Estados Unidos, participou, como homenageado, com a música “Tocando sem dedos”, de um CD do percussionista Naná Vasconcelos, seu grande admirador e que utiliza instrumentos confeccionados por Tavares em seu shows e gravações.

Em 2003, gravou com o bluseiro carioca Jeferson Gonçalves o CD “Sanfonas de Boca”, lançado no ano seguinte. Em 2004, participou do CD “Gréia”, o primeiro disco solo de Jeferson Gonçalves que contou ainda com as participações de Airto Moreira, Peter Madcat Ruth, Jamie Wood, Johnny Rover, Norton Buffalo, Zé da Flauta e Carlos Malta, entre outros.

 

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