Política

SP volta para fase vermelha com piora da pandemia

O Governador João Doria confirmou na quarta-feira (3) que todos os 645 municípios do estado regridem para a fase vermelha do Plano São Paulo a partir deste sábado (6). A etapa mais rigorosa de restrição de mobilidade urbana e serviços não essenciais fica em vigor até o próximo dia 19 devido ao aumento alarmante de casos, internações e mortes causadas pelo coronavírus.

“Estamos em São Paulo e no Brasil à beira de um colapso na saúde. Isso exige medidas urgentes e coletivas”, afirmou o Governador. “São 14 dias de fase vermelha. Vamos enfrentar as duas piores semanas da pandemia no Brasil desde março do ano passado”, acrescentou Doria.

A decisão do Governo do Estado referenda a recomendação de especialistas do Centro de Contingência do coronavírus e já havia sido alinhada em videoconferência entre Doria e 618 Prefeitos e Prefeitas no final da tarde da última terça (3). Autoridades estaduais e municipais decidiram reforçar ainda mais as ações conjuntas ante o agravamento sem precedentes da pandemia.

De acordo com o Plano SP (https://www.saopaulo.sp.gov.br/planosp/), a fase vermelha só permite funcionamento normal de serviços essenciais como indústrias, escolas, bancos, lotéricas, serviços de saúde e de segurança públicos e privados, construção civil, farmácias, mercados, padarias, lojas de conveniência, feiras livres, bancas de jornal, postos de combustíveis, lavanderias, hotelaria e transporte público ou por aplicativo, entre outros.

Já os comércios e serviços não essenciais só podem atender em esquema de retirada na porta, drive-thru e pedidos por telefone ou internet. Academias, salões de beleza, restaurantes, cinemas, teatros, shoppings, lojas de rua, concessionárias, escritórios e parques deverão ficar totalmente fechados ao público.

Os serviços essenciais precisam cumprir protocolos sanitários rígidos, como fornecimento de álcool em gel, aferição de temperatura, ventilação de ambientes, controle de fluxo de público e horário diferenciado para abertura e fechamento. O toque de restrição estará em vigor a partir das 20h em todas as regiões do estado, com recomendação para circulação restrita em vias públicas e fiscalização ampliada até as 5h.

As Prefeituras também podem impor medidas ainda mais restritivas devido à gravidade dos indicadores locais de epidemiologia e capacidade hospitalar, como já ocorre em diversos municípios no interior e região metropolitana da capital.

Por outro lado, qualquer medida local que abrande as restrições definidas pelo Estado será alvo de notificação administrativa por parte da Secretaria de Desenvolvimento Regional. As advertências serão informadas ao Ministério Público para possíveis sanções judiciais que garantam o cumprimento estrito das normas do Plano SP.

O Governo do Estado reforçou que toda a população precisa intensificar as ações pessoais de distanciamento social, uso de máscaras em qualquer ambiente, opção pelo teletrabalho e higiene constante das mãos para mitigar o avanço do coronavírus. A fiscalização estadual contra aglomerações, festas e eventos clandestinos recebe denúncias pelo telefone 0800 771 3541 ou e-mail secretarias@cvs.saude.sp.gov.br.

Ação conjunta com municípios

O Governador João Doria coordenou uma videoconferência com mais de 600 Prefeitos para debater novas ações conjuntas de enfrentamento ao coronavírus. O recrudescimento da pandemia levou o Governo de São Paulo e as Prefeituras a um alinhamento para a eventual aplicação de medidas mais restritivas em todos os 645 municípios do estado.

“O momento é de união e mobilização diante de uma circunstância gravíssima como essa. As duas piores semanas desde o início da pandemia estão por vir, nós temos que estar preparados. Não podemos estar ausentes, indiferentes, tratarmos isso com frieza ou debaixo de pressões que não sejam exclusivamente pela proteção à vida”, disse Doria.

A reunião online teve a participação de 618 Prefeitos e Prefeitas, além dos Secretários de Estado Marco Vinholi (Desenvolvimento Regional), Jean Gorintcheyn (Saúde) e Patricia Ellen (Desenvolvimento Econômico) e os Coordenadores do Centro de Contingência, Paulo Menezes e João Gabbardo.

O Governador reforçou que a situação atual no estado é alarmante e que Estado e Prefeituras precisam de ações coordenadas para preservar vidas e reduzir a pressão sobre a capacidade hospitalar do SUS e também de hospitais privados.

“Esta é a prioridade absoluta em SP. Queremos mostrar a todos a situação real e as ações que precisamos tomar agora em conjunto com as Prefeituras”, afirmou Doria.

O Presidente da APM (Associação Paulista de Municípios), Fred Guidone, formalizou em carta o apoio “às medidas estruturais de combate à pandemia adotadas pelo Plano SP” e reconheceu o “esforço de Governador e Prefeitos” no enfrentamento da crise sanitária. A APM também ressaltou a “inércia do Governo Federal em adotar atitudes eficazes e ações eficientes em âmbito nacional”.

O Governo do Estado reforçou aos Prefeitos que São Paulo possui 7.415 pacientes internados em UTIs, número recorde desde o início da pandemia. “Se não aplicarmos medidas mais restritivas, teremos onze dias até um colapso em nosso sistema de atendimento hospitalar”, disse o Secretário da Saúde.

“O cenário é alarmante e exige uma ação pronta e unificada de todos nós. Situação é preocupante em todas as regiões, com maior gravidade no interior”, acrescentou o Secretário de Desenvolvimento Regional.

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