Turismo

Siem Reap, a Cidade Perdida no Camboja

Angkor, a Cidade Sagrada, capital do Império Khmer, é um dos sítios arqueológicos mais importantes do Sudeste Asiático, para não dizer do planeta. Localizado em Siem Reap, ao norte do Camboja, o complexo se estende por cerca de 400 quilômetros quadrados, sendo uma enorme cidade que começou a ser construída no século XI, chegando a ter quase um milhão de habitantes no auge do Império Khmer – quando a extensão do império correspondia a quase todo o território do Sudeste Asiático.

O monumental Angkor Wat, seu templo principal e símbolo nacional, é considerado a oitava maravilha do mundo, impressionando pela simetria, grandiosidade e simbologia. Famoso pelo amanhecer, em que suas torres se refletem em tons coloridos nas águas do lago, Angkor Wat foi construído a mando do Rei Suryavarman II, que diz a lenda, teria assumido o poder após assassinar o seu antecessor enquanto este andava em seu elefante.

Entre áreas florestais, lagos e estradas, nos deparamos com magníficos templos budistas, ruínas destes tempos áureos e de períodos hinduístas anteriores, antes da conversão da religião do império para o Budismo, com o Rei Jayavarman VII.

As construções são uma verdadeira fusão de criatividade, ambição e devoção espiritual que deixa qualquer um impressionado. Andar por estes antigos monumentos, se deparar com seus pequenos detalhes preservados pelos séculos e imaginar toda a história que se passou por lá é uma experiência única.

A grandeza de Angkor é tamanha que não podemos acreditar que o Império Khmer teve um declínio tão rápido quanto a sua ascensão, tendo sido invadido no século XIV pelo Reino de Sião – que hoje seria o que conhecemos como Tailândia.

No entanto, apenas agora a história desta civilização memorável começa a ser mais clara: a guerra e decadência econômica da região levaram ao abandono da antiga capital. A região foi tomada pela selva e perdida por mais de um século, até que foi redescoberta pelo ocidente, em explorações missionárias portuguesas no século XVI e posteriormente francesas no século XIX, rendendo-lhe a fama de “cidade esquecida”.

Atualmente, Siem Reap é a cidade base perfeita para mergulhar na história e viver esta aventura. Apesar de ter sido desenvolvida nos anos 60 para dar suporte ao turismo da região, foi nos últimos anos, com o fim definitivo do regime ditatorial do Khmer Rouge, que a cidade pode abraçar o turismo, contando atualmente com uma ótima estrutura turística e excelentes restaurantes, além de muitas outras atrações para seus visitantes.

 Atrativos

Siem Reap não passava de uma pequena vila quando os primeiros exploradores franceses redescobriram Angkor, no século XIX, mas foi só o país tomar as rédeas do parque arqueológico novamente para que a cidade se desenvolvesse até se tornar o que é hoje, um destino turístico completo, que reúne excelentes opções de hotéis, museus, restaurantes e bares, mercados e muito mais.

A área do Phsar Chas (Mercado Antigo), por exemplo, é uma das mais antigas e vibrantes da cidade. Lá fica a movimentada Pub Street, uma rua famosa pela enorme quantidade de atrações como bares e boates, além de casas de massagem, entre elas as do tipo fish spa, técnica na qual os pés são massageados por pequenos peixes que, na verdade, se alimentam da pele morta acumulada. Nada dolorido e super-relaxante! Sessões a partir de 3 USD.

Outra opção de programa noturno – principalmente para os que desejam algo mais tradicional e tranquilo do que a animada Pub Street – são os shows de danças típicas do Camboja. Entre as apresentações mais famosas da noite de Siem Reap estão a Rosana Broadway (mais glamurosa, estilo cabaré e cheia de performances).

O orfanato Acodo promove um espetáculo de dança típica Khmer estrelado por crianças talentosas e que precisam de muito incentivo – uma excelente oportunidade para conhecer de perto esse belo trabalho artístico e social.

 Conhecer a história do Camboja

A visita ao Museu das Minas Terrestres é uma “viagem” a um dos períodos mais tristes da história do Camboja cujas consequências perduram até os dias de hoje. O lugar, que fica a 25km de Siem Reap, foi fundado em 1997 por Aki Ra, um ex-soldado que entrou ainda criança para o exército do Khmer Vermelho e lutou nas guerras que assolaram o país durante três décadas.

Neste museu você vai ter um panorama completo da história política e social do país, além de ver de perto algumas das minas que foram plantadas e removidas com o auxílio de ferramentas caseiras, pelo próprio fundador. Além disso, o local acaba sendo bem mais do que um simples museu, pois dá suporte a crianças e jovens em situação de risco e/ou afetadas direta ou indiretamente pelas minas. Um trabalho importante e que depende de doações.

Preah Khan

Com uma atmosfera similar à do Ta Prohm – o Templo da Floresta, onde foi filmado “Tom Raider” -, o Preah Khan foi um dos projetos mais ambiciosos do Rei Jayavarman VII e também uma das construções mais significativas do império Khmer.

Erguido na segunda metade do século XII, o templo dedicado a Brahma, Buda, Shiva e Vishnu não era um dos maiores do complexo; no entanto, a construção que hoje se encontra em ruínas está situada em uma impressionante área de 56 hectares.

Além disso, informações dão conta de que o importante templo funcionou como uma grande universidade budista, onde atuaram mais de mil professores.

Ta Prohm

Também conhecido como o Templo da Floresta, o Ta Prohm é uma das estruturas mais bonitas da região de Angkor. Situado a leste do Angkor Thom (vide mapa), o paraíso dos fotógrafos de plantão impressiona pelas raízes de árvores entrelaçadas às ruínas. Um cenário tão belo que acabou servindo de locação para o filme “Tomb Raider”, estrelado pela atriz Angelina Jolie.

Depois de admirar e explorar a área externa, não deixe de conhecer a parte interna do templo budista dedicado à mãe do rei Jayavarman VII, onde o concreto e a natureza se “encaixam” perfeitamente. Erguido no final do século XII, o Ta Prohm chama a atenção do visitante por seus corredores afunilados e pelas passagens que dão acesso a cômodos impressionantes.

Thommanon

A uma curta distância do Angkor Thom – a última capital do império Khmer – está situado este elegante templo construído no início do século XII (mesmo período em que foi erguido o Angkor Wat). Impressionam, no local, o grau de conservação das ruínas, as belas torres pontiagudas e também os trabalhos artísticos em relevo de “devatas”, belas divindades femininas.

Outro fator interessante é a estrada que dá acesso ao local – muito importante na região de Angkor, separa o Thommanon de outro belíssimo templo, o Chau Say Tevoda. Segundo informações, embora as proporções, o desenho e o estilo de ambos sejam muito parecidos, o Chau Say Tevoda foi construído tempos mais tarde, já no final do reinado de Suryavarman II – caindo por terra, portanto, a ideia de que as duas construções formariam um par.

Angkor Thom

Construído no final do século XII, a mando do rei Jayavarman VII, o Angkor Thom foi a última capital do império Khmer. Uma cidade-monumento – que ocupa uma impressionante área de nove quilômetros quadrados – onde foram erguidas residências e edifícios administrativos muito importantes, mas que, com o passar do tempo, foram se transfomando em ruínas.

Em geral, a primeira visão que se tem do local é a do Portão S, fabulosas torres com quatro rostos, cada um apontando para um ponto cardeal. Ao atravessar esse ponto, o visitante vai ver de perto as impressionantes ruínas de templos como o famoso Bayon, no centro da cidade de Angkor Thom, a 1.500m do portão Sul.

O Bayon é um templo budista que impressiona pelas mais de 50 torres góticas, decoradas com 216 rostos de Avalokiteshvara, esculturas em baixo-relevo que retratam a vida Khmer e também pela belíssima natureza ao redor.

Outros destaques de Angkor Thom são:

– O Baphuon: uma representação simbólica do Monte Meru. Ele fica 200m a noroeste do Bayon;

– O Terraço dos Elefantes: o terraço situado na Praça Real de Angkor Thom era usado para a realização de cerimônias públicas;

– O Terraço do Rei Leper: ao norte do Terraço dos Elefantes está a plataforma que abriga uma estátua nua, um dos mistérios de Angkor;

– Prah Palilay: templo dedicado ao budismo e ao estilo artístico do Angkor Wat. Cercado por uma bela natureza, o local tem uma atmosfera muito tranquila e uma área excelente para ser explorada a pé. Está situado ao norte do Baphuon.

Como chegar?

Não há voos diretos das principais capitais brasileiras para Siem Reap, mas voos com algumas conexões, passando primeiramente por cidades como Joanesburgo, na África do Sul (pela cia. aérea South African Airlines). Em geral, a chegada à Ásia acontece em grandes hubs do continente, como em Bangcoc, na Tailândia.

Depois de desembarcar no continente asiático você pode voar direto para Siem Reap de várias localidades, saindo de Bangcoc (pelas companhias Bangkok Airways e Cambodia Agkor Air), Hanói e Ho Chi Minh (pela Vietnam Airlines) e Luang Prabang, no Laos (pela Vietnam Airlines e pela Lao Aviation). Essa, portanto, seria a maneira mais rápida – e não tão cara – de acessar a cidade do Camboja.

Saindo do aeroporto – Para ir do aeroporto até o centro de Siem Reap, os passageiros têm à disposição táxis (7 USD, a corrida), vans (10 USD, a corrida) e mototáxis (2 USD). Para contratar algum desses serviços, dirija-se à porta de saída.

De ônibus – Este acaba sendo um meio de transporte barato, muito usado por aqueles que desejam vir da capital Phnom Penh (e vice-versa). A viagem dura seis horas, em média, e a passagem pode ser adquirida no terminal rodoviário, em agências e hotéis da capital.

A rodoviária de Siem Reap fica bem próxima do centro da cidade. Mototáxis, em geral, cobram 2 USD pelo transporte do passageiro.

Quando ir?

Apesar dos efeitos das monções não serem tão intensos no Camboja, procure evitar os meses de agosto e setembro, auge da estação chuvosa, que vai de maio a novembro. A alta temporada é de novembro a fevereiro, quando o clima é seco e faz bastante calor. Só não é tão quente como de março a maio, época mais quente do ano, em que o sol a pino, pode tornar o passeio bem cansativo.

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