DestaquePolítica

Servidores da Saúde denunciam irregularidades em Cabo Frio

Além da rotina estressante imposta pela pandemia do novo coronavírus, a falta de insumos básicos e desvalorização, os profissionais da Saúde de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, ainda precisam lidar com uma série de irregularidades no setor. Na terça-feira (23), Agentes de Combate a Endemias e Agentes comunitários de Saúde protocolaram no Ministério Público Federal na terça-feira (22) denúncia de contratações irregulares, falta de pagamento de benefícios e fraudes.

No documento, os servidores relatam nepotismo e diversas irregularidades de servidores da área da saúde “com participação direta da Coordenadoria e da Administração, que empregou o filho, o sobrinho e outras pessoas, em desconformidade com a Lei nº 11.350/06”.

“Não há outro caminho a não ser denunciado ao MPF, pois esgotou qualquer diálogo com os gestores e perseguições contra nossa categoria”, afirmou um agente.

Outro servidor que não quis se identificar falou sobre a farra nas nomeações. “Porque o secretário nomeou seu amigo como Chefe do Almoxarifado Central e de quebra a esposa desse mesmo amigo como sua supervisora no mesmo local e que só comparece lá eventualmente e em breves períodos?”, questiona.

Ele relata ainda a participação da esposa do secretário de Saúde Felipe Fernandes em decisões na pasta. “Porque a mulher do secretario está sempre lá no gabinete participando das reuniões, fazendo parte da equipe de organização das vacinas contra a Covid-19, participando de fóruns, etc? Ela foi nomeada na secretaria de Saúde ou em outra secretaria e convenientemente ‘cedida’ para seu esposo?”.

 

FRAUDES EM DOCUMENTOS

O documento protocolado na terça também denuncia fraudes no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). “A lista do CNES atualizada de forma irregular, com nomes de pessoas que já não se encontram nos quadros funcionais, ente eles pessoas que já saíram do serviço público e pessoas falecidas”.

Os profissionais também relatam a falta de benefícios, tais como o Incentivo Financeiro enviado pelo governo federal, a insalubridade compatível às atribuições e o vale transporte. Todos aprovados pela Câmara Municipal de Cabo Frio através da lei municipal n. 3.201/20.

 

SEM O BÁSICO

“Com tantos amigos a coisa não flui. Ele tem que usar seus conhecimentos para conseguir emprestado junto a outros municípios seringas, medicamentos, insumos em geral. Nossas requisições vinham quase sempre zeradas na entrega. Já vamos para 7 meses e o que precisamos fazer para termos condições de atendimento de qualidade aos nossos pacientes. Hoje nem papel higiênico temos em nossa unidade. Algumas vezes fazemos vaquinhas para comprar água sanitária e desinfetante”, relata o servidor.

“Na UPA onde uma amiga trabalhava também está um caos. Raramente a equipe médica de plantão se encontra completa, sempre te um médico faltando. Ar condicionado vazando ou parado, banheiros sem papel, piso afundando. Muita das vezes, paciente preferem procurar atendimento em São Pedro ou Búzios para não penar na espera”, avaliou.

Os servidores também questionam as inúmeras demissões no setor. “Porque já demitiram várias pessoas no UPA, no PAM, nos hospitais e até mesmo na secretaria? Para favorecer vereadores, dando-lhes a chance de indicações e como troca fazerem vista grossa para esses desmandos? Ou essas indicações ficarão somente a cargo do vereador líder do governo e, quem sabe, do presidente da Câmara? A terra continua e o prefeito nem aí. Cúmplice de tudo isso. Parece que ainda estou no desgoverno do Dr. Adriano”, finalizou o profissional.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo