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Rio: pobreza dispara e mais de 10% é obrigado a sobreviver com R$ 246 mensais

A pandemia do coronavírus atingiu os sistemas de saúde ao redor do mundo e a situação financeira dos países, inclusive o Brasil. No Estado do Rio, um efeito colateral e perverso foi ter acentuado a desigualdade social, que já vinha crescendo nos últimos anos. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que mais de 745 mil pessoas passaram a viver na pobreza no estado durante a pandemia. O número é o equivalente ao número total das populações dos municípios de Niterói, na Região Metropolitana, e Magé, Baixada Fluminense somadas.

Segundo informações do jornal O Globo, o levantamento aponta que antes pandemia cerca de 980 mil pessoas viviam com menos de R$246 por mês. O estudo da FGV Social mostra que projeção para fevereiro é que o número de pobres no estado chegue a 1,7 milhão, 10,5% da população.

“O Rio de Janeiro vinha num processo de deterioração econômica, mas a gente não fez ajustes durante os anos de crise. Então, agora a ficha caiu. A gente vê um grande aumento de pobreza. São 745 mil novos pobres, que não existiam antes da pandemia e agora estão presentes”, afirmou Marcelo Neri, pesquisador FGV.

‘Recuperação não é fácil’, diz especialista

Os dados da Fundação Getúlio Vargas mostram ainda que no Rio a renda do trabalho caiu 18,6%. Desse total, 15,5% foram fechamento de postos de trabalho, o que torna a crise mais grave e mais difícil de ser resolvida.

“A gente vai precisar recuperar os postos de trabalho depois da crise. Não foi, por exemplo, redução de jornada, redução de salário que é um ajuste mais a curto prazo. Foi um ajuste mais duro e dado que economia do Rio não fez ajustes fiscais ao longo dos anos, a gente não tem uma expectativa de recuperação fácil”, disse Felipe Neri.

Desemprego e falta de confiança do consumidor

Na economia fluminense, os estragos foram preocupantes nos postos de trabalho. As vagas desapareceram assim que começou a crise causada pelo coronavírus. De acordo com o Clube dos Dirigentes Lojistas, o comercio do Rio perdeu quase 100 mil empregos diretos.

“Quando uma loja fecha, não é apenas os trabalhadores daquela loja que perdem emprego, mas também toda uma série de pessoas que trabalham em função da loja. Por exemplo, contador, motoristas, prestador de serviços. Tudo na cadeia de emprego, além dos fornecedores e da própria indústria”, afirmou Aldo Gonçalves, presidente CDL Rio.

Os consumidores fluminenses ainda amargam o gosto da crise provocada pela Covid-19. Nova pesquisa realizada pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ) mostrou que houve aumento na porcentagem de inadimplentes: indo de 47% para 56,9% entre janeiro e fevereiro. O total de consumidores que não estão com contas em atraso caiu de 53% para 43,1%. Entre os que se declararam inadimplentes (56,9%), o cartão de crédito lidera o ranking (59,2%), seguido pelas contas de luz, água, telefone, gás e internet (48,1%) e crédito pessoal (32,6%).

Questionados sobre o emprego nos próximos três meses, 70% dos fluminenses estão com medo ou muito medo de serem demitidos. Em janeiro, esse índice correspondia a 60,6%.

‘Supera Rio’

A situação pode mudar já que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou a criação do programa Supera Rio, que cria um auxílio emergencial mensal de até R$ 300, com validade até o fim do ano. Na sexta-feira (26), o governador em exercício do Rio, Claudio Castro, recebe o texto final do projeto de lei. A expectativa é de que, mesmo tendo   um prazo de 15 dias desde o recebimento do documento para sancionar o projeto, Claudio Castro o faça na próxima semana.

Segundo o projeto, poderão receber o auxílio pessoas que comprovem renda igual ou inferior a R$ 100 ou aquelas que não possuem vínculo formal de trabalho há mais de seis meses. A proposta é do presidente da Alerj, o deputado André Ceciliano (PT).

Até agora, pouco se sabe sobre quantas pessoas serão contempladas pelo benefício e quanto será disponibilizado ao todo pelo governo estadual. O que é certo até o momento é que a principal fonte de custeio do programa serão os fundos estaduais, que têm 30% de seus recursos desvinculados. Apenas o Fundo Estadual de Combate à Pobreza, o principal deles, tem arrecadação de R$ 4,6 bilhões prevista para 2021, dos quais R$ 1,3 bilhão poderia ser destinado ao benefício. Também poderão ser usadas parte das receitas com pagamentos da Dívida Ativa estadual e do programa de refinanciamento de débitos tributários estaduais.

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