Geral

Raul de Souza, um dos mestres mundiais do trombone

O músico brasileiro Raul de Souza morreu nesta segunda-feira (14), aos 86 anos, vítima de um câncer. O instrumentista, considerado um dos melhores trombonistas do mundo, vivia na França, depois de ter construído parte de sua carreira nos Estados Unidos.

“Guerreiro, como sempre, lutou até o final de suas forças contra o câncer”. Foi com essa frase que os familiares de Raul de Souza anunciaram sua morte, na noite de domingo (13). “O nosso herói brasileiro partiu para eternidade, deixando para todos seu maior legado, sua música”, completa o texto.

O músico lutava contra a doença há alguns anos. O câncer na garganta chegou a ser estabilizado após tratamentos de quimioterapia a radioterapia. Mas no ano passado teve uma recaída. “Ele continuou guerreiro até o final”, informaram seus familiares.

Raul de Souza começou na música aos 16 anos, em uma fanfarra no Rio de Janeiro. Na época, tocava “uma tuba e um trombone emprestados, porque não tinha dinheiro para comprar”, relembrou em uma de suas entrevistas à RFI, em 2019, quando lançava o disco “Blue Voyage” (Selo Sesc).

Durante seus 67 anos de carreira, cruzou o caminho e colaborou com nomes que fizeram a história da música. Pixinguinha reconheceu seu talento ainda adolescente, enquanto Nelson Cavaquinho o aconselhou a se inscrever em um programa de calouros na Rádio Nacional, apresentado por Ary Barroso.

O primeiro álbum foi lançado em 1955, ao lado de Sivuca, Altamiro Carrilho e Baden Powell. O projeto lançou sua carreira no Brasil.

 

Carreira nos Estados Unidos

Mas foi nos anos 1970, quando se mudou para os Estados Unidos, que passou a ter um reconhecimento internacional. Na época, encontrou um dos maiores trombonistas da história, Jay Jay Johnson, que aceitou criar os arranjos de “Colors”, seu primeiro disco gravado no exterior.

“Foi minha maior glória. O disco abriu as portas para mim nos Estados Unidos”, dizia sempre. Lançado em 1975, esse álbum passou a ser usado como material didático no Berklee College of Music, em Boston, uma referência mundial em termos de ensino musical. “Tenho a sorte de ter nascido com essa musicalidade e acabei criando um estilo próprio”, comentou o músico durante outra entrevista à RFI, em 2016.

Morando em um vilarejo no sudoeste da França, “sua floresta”, como ele dizia, o músico se manteve produtivo até o final da vida. Em 2019, chegou a se gabar de ter dois álbuns prontos para serem lançados, um de baladas e outro em homenagem a Tom Jobim. Atravessando gerações.

Em maio deste ano, lançou na Europa o projeto “Plenitude”, pela PAO Records. O disco chegou a liderar a seleção Jazz Brasileiro no Spotify e “Daisy Mae”, uma de suas composições, entrou para a playlist e V, um dos membros do grupo sul-coreano BTS, fenômeno entre os adolescentes, provando que o estilo do brasileiro continua atravessando gerações.

O músico também foi o padrinho este ano da 3ª edição do Lille Choro Festival, um evento dedicado ao ritmo musical brasileiro, realizado no norte da França. “A gente queria prestar essa homenagem mais intensa”, contou Vítor Garbelotto, coordenador musical do festival.

O corpo de Raul de Souza será cremado na França e as cinzas devem ser levadas para o Brasil para serem depositadas no túmulo de sua família. “Essa era a vontade dele”, informaram seus parentes. Uma cerimônia religiosa será realizada na sexta-feira (18) em Lagarde Viaur, onde ele morava atualmente. Outra cerimônia está prevista no sábado (19), no crematório de Albi, uma cidade vizinha.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo