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Ramón Valdés, o eterno Seu Madruga

Conhecido por ter interpretado Seu Madruga no clássico seriado Chaves, o ator mexicano Ramón Valdés completaria nesta quinta-feira (02) 98 anos. Sua carreira teve início na Era de Ouro do Cinema Mexicano, junto com seus irmãos Manuel “El Loco” Valdés e Germán Valdés Tin Tán. Seu personagem alcançou o status de ícone da cultura popular na América Latina e Valdés é considerado até hoje um dos principais comediantes do México. Ele morreu em decorrência de um câncer em 9 de agosto de 1988.

Nascido na Cidade do México em 2 de setembro de 1923, seus pais eram Rafael Valdés Gómez e Guadalupe Castillo. Na família era conhecido como “Moncho” que como todos os outros filhos do casal tinham seus próprios apelidos. Quando tinha dois anos, se mudou com a família para Ciudad Juárez em Chihuahua, onde seus irmãos, Germán Valdés Tin Tán, Manuel “El Loco” Valdés e Antonio Valdés “El Ratón Valdés” começaram a trabalhar como atores. Era tio do cantor e ator Cristian Castro, filho do seu irmão El Loco.

 

CARREIRA

No início da carreira atuou em pequenos filmes, junto com seu irmão Tin Tán (na maioria das vezes), e também com papéis nos filmes de Pedro Infante e Cantinflas.

Durante a Época de Ouro do cinema mexicano, Ramón foi um veterano no cinema, trabalhou em mais de 50 filmes, nos quais destacam-se “Calabacitas tiernas” (1949), “El rey del barrio” (1950), “Soy Charro de Levita” (1949), “La marca del Zorrillo” (1950), “Fuerte, audaz y valiente” (1963) e “El capitán Mantarraya” (1973). Também trabalhou em novelas como “Lupita” (exibida no Brasil pelo SBT em 1985).

Embora tenha dedicado a maior parte de seu trabalho ao cinema, a carreira de Ramón atingiu seu ápice na TV, com El Chavo del Ocho, que no Brasil passou a se chamar simplesmente de Chaves. Em 1968, Roberto Gómez Bolaños, mais conhecido como Chespirito, o convidou para fazer parte de seu elenco ao lado da atriz María Antonieta de las Nieves (Chiquinha) e Rubén Aguirre (Professor Girafales). Juntos, dão início ao programa Los supergenios de la mesa cuadrada, que em 1970 se transformou no Programa Chespirito e durou até 1973.

Em 1970, Chapulín Colorado estreia e em 1972 é a vez de El Chavo del Ocho. Embora tenha se destacado como Seu Madruga, Ramón Valdés fez várias outras interpretações, como o pirata Alma Negra, Tripa Seca e a paródia aos EUA Super Sam.

As pessoas que conviveram com Ramón Valdés afirmam que ele era, além de muito talentoso, uma pessoa divertida e atenciosa. Roberto Gómez chegou a dizer que ele foi o único comediante que já o fez “morrer de rir”. Afirmação semelhante teria feito Edgar Vivar, o Senhor Barriga. Com o público, dizia-se que Ramón Valdés era sempre muito amável e respeitoso.

Apesar da fama e reconhecimento, em 1979, Valdés se retirou dos programas de Chespirito. Na época, Ramón estava precisando de dinheiro para quitar uma casa e pediu um empréstimo à Chespirito, mas ele não lhe concedeu o empréstimo. Ao mesmo tempo, Ramón recebeu um convite para trabalhar em um circo, onde iria ganhar muito dinheiro. Assim, por questões financeiras, Ramón decidiu ir trabalhar no circo e deixar os programas de Chespirito. Mas este não teria sido o único motivo da saída. Nos bastidores, comentou-se que Ramón estava insatisfeito com a direção do programa e já não trabalhava com a mesma alegria – o que também o fizera decidir sair. Em uma entrevista, Esteban Valdés, filho do ator, declarou que a saída de seu pai foi porque Florinda Meza, então esposa de Gómez Bolaños — embora ambos tenha formalizado o casamento apenas em 2004 —, queria o controle total sobre o programa. Essa situação teria causado desconforto para Valdés, preferindo receber ordens apenas de Gómez Bolaños, a quem lhe devia sua fama. Sua saída seguiu-se a de Carlos Villagrán, que ocorreu meses antes. Após deixar o elenco, Ramón ficou um tempo se dedicando a projetos pessoais. Trabalhou no Circo Orins, onde fez shows por todo o México e em parte da América do Sul. Também esteve no filme “Okey Mister Pancho”.

Em 1981, no entanto, Ramón Valdés voltou a trabalhar com Roberto, desta vez com o seriado Chespirito, que voltara a ser gravado. Porém, Ramón permaneceu menos de um ano no programa. Em novembro de 1981, ele saiu definitivamente.

Em 1982, o ator passou a trabalhar com Carlos Villagrán (Quico) na Venezuela, a convite do próprio Carlos, que havia saído em 1979 e tido divergências com Roberto Gómez. Ambos fizeram várias viagens para apresentar o show Federrico, onde Ramón interpretava Don Moncho, dono de uma loja. No entanto, devido à baixa audiência do programa, Ramón só participou da primeira temporada e depois retornou ao México.

Em 1987, trabalhou com Carlos Villagrán mais uma vez no programa ¡Ah que Kiko! (“Kiko” passou a ser usado por Villagrán pelo fato de Roberto Gómez ter os direitos sobre o nome “Quico”), mas não ficou muito tempo, já que também se dedicava ao seu circo.

Ramón Valdés era amigo de praticamente todos os seus colegas, mas teve especial amizade com Angelines Fernández e Edgar Vivar. Ramón e Angelines trabalharam juntos na era de ouro do cinema mexicano e sempre foram muito próximos, sendo que foi o próprio Ramón quem indicou Angelines a Chespirito para que ela participasse de seus programas.

Edgar Vivar e Valdés eram vizinhos, segundo o próprio Edgar, em algumas entrevistas, muitas vezes iam para as gravações juntos. Pouco antes de Ramón Valdés falecer, Edgar Vivar lhe fez uma visita no hospital e Valdés brincando lhe disse: “Senhor Barriga, não poderei mais lhe pagar o aluguel”, conta Edgar emocionado ao falar do amigo.

Nos últimos anos de sua vida, Valdés dedicou-se a viajar com seu circo por todo o México. Um de seus últimos trabalhos foi um comercial que gravou no Peru em 1987.

Ramón Valdés foi casado três vezes, sendo que uma de suas esposas foi a cantora Aracely Julian. Ao todo, Ramón teve dez filhos.

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