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Estádio do Maracanã passará a se chamar Pelé em homenagem ao rei do futebol

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, em discussão única, o projeto de lei 3.489/21, de autoria do deputado André Ceciliano (PT), que concede o nome Edson Arantes do Nascimento – Rei Pelé ao estádio do Maracanã; e o nome Mário Filho ao complexo esportivo, que engloba ainda o ginásio Maracanãzinho e o estádio de atletismo Célio de Barros. O projeto segue, agora, para o governador em exercício, Cláudio Castro, que tem até 15 dias úteis para sancioná-lo.

Segundo a proposta, as placas contendo o nome do estádio deverão fazer menção ao milésimo gol do Pelé. “A utilização de nomes de pessoas vivas nos bens pertencentes ao patrimônio público tem sido uma preocupação da sociedade para zelar pelo que é de todos e impedir a privatização do patrimônio público. Mas, nesse caso, essa é uma justa homenagem a uma pessoa reconhecida mundialmente pelo seu legado no futebol brasileiro e pela prestação de relevantes serviços ao nosso país”, justificou Ceciliano.

Também assinam o projeto como coautores os deputados Bebeto (Pode), Marcio Pacheco (PSC), Eurico Junior (PV), Carlos Minc (PSB), Coronel Salema (PSD) e Alexandre Knoploch (PSL).

A lei incomodou Mario Neto, neto do jornalista e escritor, mas não surpreendeu o herdeiro do cronista. Neto disse não se surpreender com o que chamou de desconhecimento da história por parte dos que comandam a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e chamou de “torpe e ridícula” a medida.

Ele afirmou ainda que não pretende buscar os direitos da família por entender que o Maracanã “morreu” após a reforma para a Copa do Mundo de 2014, já que o estádio idealizado e defendido por seu avô tinha como marca ser o “maior do mundo”. Para ele, a mudança só seria justificável se homenageasse um certo craque que brilhou no Rio de Janeiro.

“É uma coisa de quem não entende de futebol, de história. Se quisessem homenagear alguém, que homenageassem o Garrincha. Estou chateado? Sim, mas não vou ficar mais, pois meu avô não brigou por esse estádio para 70 mil pessoas. Em virtude das pessoas que estão na Alerj, não me surpreende”, disse.

Historiadores questionam projeto

Historiadores questionaram o projeto de lei aprovado pela Alerj que muda o nome do Maracanã de Estádio Mário Filho para Estádio Rei Pelé. A historiadora e ex-presidente do Iphan Kátia Bogéa diz que o Maracanã é patrimônio nacional, tombado por lei federal, o que abre caminho para questionamentos na Justiça ao projeto, mesmo após a assinatura do governador Cláudio Castro.

“O Maracanã faz parte da história brasileira, é um marco histórico e o nome também, faz parte do tombamento, não pode ser modificado por uma legislação estadual, abaixo de uma lei federal”, diz

Outro historiador, Luiz Antônio Simas lembra que já existem outras homenagens para Pelé e a importância de Mário Filho para a própria existência do Maracanã.

“Queriam colocar [o estádio] na Ilha do Governador, queriam colocar sob pilotis na Lagoa, o estádio na Baixada de Jacarepaguá, e ele lutou para ficar ali, as margens do Maracanã, ponto central, acesso fácil, perto da linha do trem, o suburbano, a Zona Sul, o asfalto e morro… O sonho dele era integrar a cidade”, lembra.

Quem foi Mário Filho

O jornalista, que era irmão do escritor Nelson Rodrigues, foi dono do Jornal dos Sports e o maior defensor da construção do Maracanã no bairro do Maracanã.

Sua ideia de um estádio nacional na região venceu outros projetos como a ampliação do Estádio de São Januário e a construção em outros bairros.

Mário Filho também foi o idealizador do formato de competição no desfile das escolas de samba, entre outras iniciativas que se incorporaram à história da cidade.

Apresentador da Globo rasga projeto ao vivo

Apresentador do RJTV, Edmilson Ávila criticou fortemente o projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) que renomeia o Maracanã de Estádio Jornalista Mário Filho para Estádio Edson Arantes do Nascimento – Rei Pelé a ponto de rasgar o documento durante a edição de quarta-feira (10) do programa. O jornalista avaliou que a ideia era inadequada e ironizou o texto do projeto.

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