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PÉSSIMO EXEMPLO

Caso de aplicação incorreta em Cabo Frio vira destaque em revista internacional

Um caso de bursite subacromial-subdeltoide após a aplicação de forma incorreta de uma dose da AstraZeneca em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, virou destaque em um artigo publicado na maior revista de radiologia ortopédica do mundo, a Skeletal Radiology.

Segundo o artigo, publicado pelos profissionais Aline Serfaty, da Medscan Lagos, e Pedro Filgueiras Hidalgo, da Ortopedia São Marcos; em conjunto com Tatiane Cantarelli Rodrigues e Abdalla Youseff Skaf, do Departamento de Radiologia do Hospital do Coração, em São Paulo, a aplicação incorreta injetou o líquido na bursa – uma bolsa de liquido que protege a articulação do ombro -, resultando em uma reação inflamatória.

Em entrevista ao portal de notícias RC24H, os profissionais informaram que a vacina foi aplicada em uma mulher, de 61 anos. Ela começou a sentir uma dor excruciante no ombro direito cerca de 30 minutos após tomar a primeira dose da vacina Oxford/AstraZeneca.

“Tomamos conhecimento do caso quando a paciente foi na clínica para fazer a ressonância do ombro. Quando vimos as imagens, percebemos as alterações que mostramos no artigo”, explicou a diretora médica da Medscan Lagos, Aline Serfaty, enfatizando que a pesquisa é muito importante na área da saúde. “Sou pesquisadora e meu trabalho é fazer parceria com outros profissionais e fazer pesquisa. Nós temos um grupo e publicamos o que vemos de mais raro para que outras pessoas tenham acesso à informação”.

Aline afirma que a paciente demonstrou preocupação com a administração da vacina, especificamente porquê a dose foi aplicada ‘muito alta’ no braço, explica o estudo. Em imagens registradas durante a vacinação, foi possível confirmar que foi utilizada uma técnica incorreta na aplicação.

“A injeção foi administrada no nível de dois dedos de largura da borda lateral do acrômio, que é considerado mais alto que o recomendado”, explica o texto publicado.

Inicialmente, a paciente foi medicada com uma compressa de gelo, pomada no local e medicamentos por cinco dias. Oito semanas após a vacinação, a mulher continuou sentindo uma dor persistente e teve a mobilidade do braço diminuída, atrapalhando nas atividades diárias.

Em exames ortopédicos, foi percebido um edema na parte superior do braço e sensibilidade localizada “no ombro, ao redor do topo da cabeça do úmero e deltóide”. A paciente teve o movimento do ombro limitado.

A paciente passou por exames de Raio-x de rotina, “que não forneceram informações úteis de diagnóstico. Mas uma ultrassonografia diagnosticou a bursite subacromial-subdeltoide.

“A bursa subdeltoide subacromial cheia de líquido estava maior do que é comumente visto para bursite por uso excessivo causada por estresse mecânico. A correlação com tecido sinovial hipertrófico levantou a hipótese de uma causa inflamatória subjacente”, afirma o estudo.

Foi iniciado um tratamento oral com anti-inflamatório, suplementação vitamínica e fisioterapia como forma de minimizar as potenciais complicações que poderiam surgir.

“Como é um acontecimento que não foi descrito anteriormente, temos que publicar para conscientizar as pessoas para esse tipo de alteração. É importante que médicos e profissionais da saúde saibam aplicar a vacina de forma correta. Temos que mostrar que quando não acontece da forma certa, pode dar esse tipo de alteração”, conta Aline sobre a ideia da publicação do artigo.

A paciente desenvolveu dor no ombro logo após a vacinação, possivelmente devido à administração da vacina inadvertidamente maior do que o recomendado. Esta reação adversa também pode ser causada quando a injeção é muito profunda, passando pelo músculo e dentro da bursa.

Ainda conforme o artigo, “diretrizes para uma administração adequada, incluindo instruções explícitas para evitar o terço superior do deltóide, ajudaria a reduzir o risco de penetrar na bursa durante as injeções de vacina”.

A técnica inadequada pode reduzir potencialmente a eficácia da vacina ou aumentar o risco de reações adversas locais. Além disso, pacientes com SIRVA – em tradução livre ‘lesão no ombro relacionada à administração da vacina’ -, podem, com a gravidade, ter a disfunção do ombro durando anos.

A Skeletal Radiology é uma revista médica revisada por pares, publicada pela Springer Science + Business Media, cobrindo distúrbios do sistema músculo-esquelético, incluindo a coluna vertebral. É o jornal oficial da The International Skeletal Society.

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