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MPF pede indisponibilidade de bens de Mirinho Braga

O Ministério Público Federal (MPF) move ação de ressarcimento de danos ao erário contra Delmires de Oliveira Braga, “Mirinho Braga”, ex-prefeito de Armação dos Búzios, na Região dos Lagos, por irregularidades na contratação da empresa de qualificação e gestão e apoio do convênio. nº 299946. Colecionador de processos, Mirinho foi nomeado secretário-adjunto de Planejamento e Estratégias das Relações Institucionais de Cabo Frio pelo prefeito José Bonifácio.

Segundo o MPF, as possíveis ilicitudes aconteceram entre os anos de 2010 a 2012, na aplicação das verbas federais do Programa “Projovem Trabalhador – Juventude Cidadã” (do extinto Ministério do Trabalho) pelo Município de Armação dos Búzios. O valor corrigido monetariamente até a data de 15 de outubro de 2020 contabiliza R$767.709,77.

Inicialmente, o contrato do programa foi firmado com o Instituto de Desenvolvimento Humano – IDESH em maio de 2010, mas rescindido cerca de 6 meses e meio após a celebração. Para que o plano de implementação não fosse paralisado, em janeiro do ano seguinte foi firmado novo contrato com o SENAC. Não houve detalhamento de qual serviço seria executado a cada parcela, o que inviabiliza o cumprimento da determinação prevista no art. 10, VII da Portaria 991/2008. Outro ponto importante é a possível subcontratação caracterizada pela transferência da responsabilidade em relação a atividade de gestão e apoio, atividades essas que não integram a finalidade social do SENAC. Quanto aos pagamentos, constatou-se a falta de identificação precisa dos serviços executados ou entrega de bens/produtos contratados, além da falta do carimbo de atesto das notas fiscais.

Desde 2016, o MPF apura irregularidades cometidas neste programa pelo Inquérito Civil 1.30.009.000081/2016-49. Além da possível irregularidade na contratação da empresa, as turmas foram distribuídas com vagas diferentes do previsto e as metas de jovens qualificados pelo programa e inseridos no mercado de trabalho não foram cumpridas, o que faz com que o valor excedente tenha que ser devolvido. O município devolveu aos cofres públicos da União, por meio de pagamento de GRU, o valor total de R$ 56.641,20 em 2015, de forma que o saldo devedor remanescente, à época, correspondia a R$ 336.852,86.

Segundo o Ministério do Trabalho, as contas prestadas foram reprovadas e não foi promovido o ressarcimento, de forma que o débito, atualizado em outubro de 2020, corresponde a R$ 767.709,77. Apesar da prestação de contas só ter sido elaborada em 2015, posteriormente ao término do mandato de Delmires de Oliveira Braga, essa se refere ao convênio firmado nos anos de seu mandato, o que não exime a responsabilidade do ex-gestor.

Para o procurador da República Leandro Mitidieri, “o dano ao erário deve ser reparado, servindo para que a verba pública federal seja destinada para fins adequados”.

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