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Moradores relatam descaso da Prefeitura com bairros carentes

Diferentes obras de infraestrutura foram iniciadas em São Pedro da Aldeia e prometem melhorar ainda mais a qualidade de vida de moradores próximos ao Centro. Por outro lado, moradores de diferentes bairros do município sofrem há anos com a falta de pavimentação, esgoto a céu aberto e falta de coleta de lixo.

A Rua Montese, no bairro Poço Fundo, é um exemplo clássico da precariedade do serviço de pavimentação na cidade que, historicamente, deixa vários moradores sem asfalto. Moradores se sentem totalmente esquecidos perante o poder público. “Faz uma semana que não recolhem o lixo em nossa Rua. Mais de 2 meses que não passam a máquina na nossa via, que está toda esburacada e com difícil acesso automotivo. Alguém poderia vir aqui no Poço Fundo. Sei que devemos somar esforços, mas não temos canalização de águas pluviais e nem mesmo coleta de esgoto”, afirma Márcio Linares.

Sem previsão de obras, a própria população tem se virado para tapar buracos das ruas e realizar a limpeza de vias, serviços de competência da Prefeitura. Enquanto isso, o prefeito Fábio do Pastel, que está a frente da Administração Pública cerca de 6 meses, tem focado em relembrar os erros e as ações da gestão passada.

“Muitas reuniões e pouco trabalho. Os bairros estão horríveis, esgoto a céu aberto, muito buraco etc. Fui socorrer uma sra. que estava passando mal, uma verdadeira luta para chegar ao asfalto. Sair lá dos Pinheiros e chegar até ao asfalto é uma guerra. Só Deus para ter misericórdia da população”, relata Hudson Pinheiro.

“Só gostaria de saber quando o governo municipal vai olhar para os bairros da periferia porque chega de promessas”, pontua João Silva.

Sem planejamento

Moradores também relatam insegurança com o aumento de pessoas em situação de rua. Segundo eles, a Prefeitura não tem realizado ações voltadas para o acolhimento. “A cidade tem tido um crescimento desordenado de pessoas em situação de rua desde a crise econômica de 2018, e a prefeitura com o seu desserviço de assistência social não vem fazendo nada, assim os furtos só aumentam”, afirma Simone Gomes.

Cadê as cestas básicas?

Pais e responsáveis de alunos da rede municipal de ensino cobram a entrega de cestas básicas e kit merenda da Prefeitura. Segundo dados divulgados pela prefeitura, o município recebeu verbas do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O programa repassa o total de 114 mil por mês que, dividido ao número total de estudantes, resulta em uma média de R$ 10,78 mensal, e 49 centavos por dia letivo.

“Uma dúvida: se entra na conta da prefeitura mensalmente 114 mil, a pandemia já dura uns 14 meses mais ou menos, esse dinheiro como informado está na conta da “prefeitura”, e vai continuar entrando certo? Porque não foi feito como em outros municípios a doação de cestas básicas nem q seja de 2 em 2 meses? Não entendo mesmo o motivo de só o nosso município não pensar em seus alunos, visto que sempre tem uma desculpa para desviar tal assunto. Se todos os outros municípios conseguiram entregar cestas básicas, qual o problema com nosso município? Só acho que estão buscando desculpas demais e ação de menos”, ressalta Vanuza Souza.

“Engraçado, o lema do prefeito não era: ‘Chega de desculpas?’ Porque tá dando tanta desculpa agora e não mostra todos os documentos na mídia e esclarecimentos devidos”, fez coro Creuma Chaffin.

No dia 7 de Junho, um grupo de mulheres realizou protesto em frente ao prédio da Prefeitura exigindo uma atitude do prefeito Fabio do Pastel no que tange aos valores recebidos para aquisição de merenda escolar.

Segundo os manifestantes, ao contrário do que tem feito os demais municípios, São Pedro da Aldeia não estaria fazendo doação de alimentos com esses recursos para as famílias de alunos carentes da rede pública que estão sem aulas devido a pandemia, alunos esses que nas escolas têm a oportunidade de fazer uma das poucas refeições saudáveis durante o seu dia.

Os portões da prefeitura foram fechados, não permitindo o acesso da população as dependências internas da prefeitura, que contava com um grande contingente da Guarda Municipal e da Policia Militar para proteger o prefeito das cobranças de mães e pais indignados com a atual situação.

“É triste em 6 meses de governo, em meio a pandemia, não houve preocupação do setor de Assistência Social do município, da Secretaria de Educação, nem do setor de Assistência Social dos Direitos da Criança e do Adolescente e muito menos dos vereadores do município em alimentar as crianças. Todos sabemos a importância da merenda escolar na vida de alguns que é sua única refeição durante o dia. E mesmo assim continuaram omissos a calamidade de extrema importância com decreto federal falando da extrema urgência em tomar medidas para levar alimentos a essas pessoas. Infelizmente, é mais fácil alimentar um servidor público, do que um pobre necessitado na visão dos setores municipal. Setores esses que são pagos com nossos impostos altíssimos”, lamenta Débora Tinoco.

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