Polícia

Moradores protestam contra violência de operação no Jacarezinho

Moradores realizaram uma manifestação na sexta-feira (7) contra a ação da polícia que resultou em 25 mortes na comunidade do Jacarezinho na última quinta-feira (6). Os manifestantes protestaram na Cidade da Polícia e em um dos acessos da comunidade, na Avenida Dom Helder Câmara. A PM reforçou o patrulhamento no local.

Os manifestantes partiram da estação Maria da Graça da Linha 2 do metrô e caminhavam com faixas e cartazes em direção à entrada da Cidade da Polícia, onde ficam as delegacias especializadas da Polícia Civil.

Um pano preto foi erguido em uma das ruas que dão acesso à parte alta da comunidade.

Moradores da comunidade denunciam que suspeitos foram executados. Durante a manifestação, uma moradora disse que os criminosos iriam se entregar, mas que a prisão não seria a intenção da polícia. “Eles vieram para matar, eles iam se entregar, mas vieram para matar. São 25 mães chorando, eu quero meu filho”, disse a mulher que precisou ser amparada por outro morador. O Ministério Público recebeu, em sua ouvidoria, denúncias de abusos policiais, que estão sendo investigados.

Em uma nota, divulgada pelos coletivos e ONGs do Jacarezinho, organizadores de uma segunda manifestação destacam que os moradores da comunidade foram acordados sob intenso tiroteio, que resultou no assassinato de mais de 24 civis e um militar, em uma incursão policial que durou mais de 9 horas.

“Em meio a uma pandemia que matou 410 mil pessoas, 45 mil só no Rio de Janeiro, ocorreu a operação mais letal da história do estado. Como se já não bastasse estarmos morrendo por uma doença pela qual já existe vacina, ainda somos submetidos a um cotidiano de brutal violência por parte do Estado. Não há outro nome para o que acontece nas favelas e periferias, o que vivemos é genocídio contra a população negra desse país. Diante dessa realidade de extermínio, seguimos com o mesmo questionamento: quais vidas importam?”, argumentou.

 

MP-RJ acompanha perícias no IML

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) acompanhou a perícia nos corpos das pessoas mortas durante operação. Para isso, um médico perito do MP-RJ teve acesso integral às dependências do Instituto Médico Legal (IML), onde chegaram os corpos na manhã de sexta-feira (07).

O perito acompanhou todo o trabalho no IML e registrar, inclusive em imagens, o que for do interesse da investigação independente do MP-RJ, que está sendo conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro.

“Venho pelo presente ressaltar a necessidade e importância da descrição precisa dos orifícios de entrada e saída de PAF e demais lesões apresentadas nos 25 cadáveres examinados para exame de necropsia por conta da realização da chamada Operação Exceptis, de modo a permitir avaliação das circunstâncias em que os ferimentos foram produzidos”, diz ofício do MP-RJ encaminhado à direção do IML.

A apuração criteriosa dos fatos é importante para a avaliação da adoção das medidas de responsabilização aplicáveis. Desde o conhecimento das primeiras notícias referentes à operação, o MP-RJ diz que vem adotando todas as medidas para verificação das circunstâncias em que ocorreram as mortes. Na quinta-feira, o MP-RJ se dirigiu à comunidade do Jacarezinho, por meio de três promotores de Justiça e três estruturas próprias distintas: o já citado Grupo Temático Temporário (GTT) – Operações Policiais (ADPF 635-STF), a Coordenadoria-Geral de Segurança Pública e a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ).

O MPRJ reitera a disponibilidade dos canais de comunicação do serviço de Plantão Permanente (atendimento pelo número 21 2215-7003, telefone e Whatsapp Business), 24 horas por dia, para apresentação de denúncias, informações e o oferecimento, por parte da população e da sociedade civil em geral, de registros audiovisuais que possam contribuir para a apuração dos fatos que possam vir a colaborar com as investigações deste e de outros casos em que possa haver irregularidades na operação policial. As comunicações podem ser feitas sob o mais absoluto sigilo.

 

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