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Monsueto, o ‘Comandante’ do samba

Nascido na favela do Morro do Pinto, no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro, Monsueto Menezes, também conhecido como Baita Negão ou Comandante foi reconhecido entre as décadas de 50 e 70 principalmente pelo seu célebre trabalho musical, mas além disso, também foi ator e até mesmo pintor. Um dos mais singulares compositores do samba, o gigante Monsueto foi protagonista de trajetória das mais fascinantes na história da nossa música popular.

Monsueto ficou órfão aos três anos de idade. Sob a guarda da avó materna e depois de uma tia, viveu as privações do morro driblando as mazelas diárias com as válvulas de escape que ali encontrava: o batuque dos mais velhos, os campos de terra batida de futebol e as brincadeiras em meio aos labirintos de madeira da comunidade.

Aos 12 anos de idade, Francisco, o irmão mais velho de Monsueto, dono de uma pequena tinturaria, impôs ao menino a labuta diária no estabelecimento. A experiência foi breve, porque o negócio do irmão foi a bancarrota pouco tempo depois, mas Monsueto tomou gosto por ganhar seus próprios trocados e seguiu fazendo pequenos biscates. Foi engraxate, lavador de galões de gordura animal e lavador de carros na porta do Jockey Clube do Rio de Janeiro.  Aos 15 anos, passou a frequentar quadras de escolas de samba para integrar a bateria de algumas delas (curiosamente, ele jamais declarou paixão por única agremiação, dizia preferir cultivar amizades em todas elas); aos 17, torna-se baterista profissional em bailes de gafieira, cabarés e clubes de dança.

Depois de um ano de cumprimento do serviço militar no Exército, lotado como soldado do Forte de Copacabana, ele voltou à vida civil e casou-se com a primeira mulher, Maria Aparecida. Ciente das novas responsabilidades e da necessidade de estabilidade financeira, Monsueto decide aproveitar a experiência adquirida com o irmão Francisco e abre um pequeno negócio de tinturaria próximo a estação Jacarezinho de trem (à época, chamada Estação Vieira Fazenda). Empreendedorismo à parte, Monsueto estava mesmo fadado a fazer história como sambista. No final dos anos 1940, ele continua a tocar bateria, mas ao tornar-se próximo da boemia reunida no entorno do Teatro João Caetano faz do ambiente uma vitrine para seus sambas.

Na década de 60, Monsueto também era conhecido pelo apelido de Comandante. Ele participava de um programa humorístico na TV-Rio, em que popularizou expressões como “castiga”, “vou botar pra jambrar”, “mora” entre outras.

Ele também se dedicou à pintura a partir de 1965. Monsueto também atuou como ator em 14 filmes – dez brasileiros, três argentinos e um italiano. No carnaval, desfilou por várias escolas de samba. Em 1973, quando participava do filme ‘O forte, na Bahia’, ficou doente e foi hospitalizado no Rio de Janeiro, onde morreu vítima de câncer no fígado, no dia 17 de março. Anos antes de sua morte, Monsueto foi redescoberto por grandes cantores e compositores brasileiros. Sua música ‘Me deixa em paz’ foi gravada por Milton Nascimento e Alaíde Costa, no LP Clube da esquina, da Odeon. Outro sucesso, ‘Mora na filosofia’, ganhou a voz de Caetano Veloso, no LP Transa, da Philips. Caetano também gravou ‘Eu quero essa mulher assim mesmo’, no LP Araçá azul, na Philips.

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