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Millôr Fernandes, o pensador de Ipanema

Conhecido como um grande jornalista, Millôr Fernandes era também desenhista, humorista, dramaturgo, escritor e tradutor. Faleceu em março de 201 2e se ainda estivesse conosco, Millôr Fernandes completaria 98 anos. Carioca do Méier, Millôr era dono de um humor inteligente que fazia rir e pensar com seus desenhos e frases.

Começou a trabalhar muito cedo, aos 14 anos já exercia uma função na redação da revista O Cruzeiro, de onde deu início a sua trajetória na imprensa brasileira. Ao longo de sua carreira de mais de 70 anos, trabalhou na Editora Abril escrevendo para a Veja, e também em outros grandes veículos como Correio da Manhã e o Diário Popular, em Portugal.

Certa vez Millôr Fernandes disse que se um dia fosse homenageado, que fizessem um banquinho de onde pudesse ver o pôr do sol no recanto entre as praias do Diabo e do Arpoador (Rio de Janeiro – RJ), lugar onde costumava fazer suas caminhadas matinais. Em sua homenagem o banquinho foi feito junto à um monumento com a silhueta do escritor, batizado como “O Pensador de Ipanema”, e o local passou a ser chamado “Largo do Millôr”.

 

BIOGRAFIA

Millôr Fernandes (ou Milton Viola Fernandes) nasceu em 16 de agosto de 1923, no subúrbio do Rio de Janeiro. Porém, só foi registrado em 1924, como se tivesse nascido em 27 de maio desse ano. Seu pai — Francisco Fernandes — era um espanhol naturalizado brasileiro. Porém, faleceu em 1925, deixando o escritor órfão. Assim, para sustentar os filhos, a mãe foi obrigada a trabalhar como costureira.

Millôr iniciou sua vida escolar em 1931 e, três anos depois, apaixonou-se pelas revistas em quadrinhos. Nessa época, já mostrava seu talento como desenhista. No entanto, em 1935, perdeu também a sua mãe, vítima de um câncer. Então, o menino foi morar com a família de seu tio materno.

Em 1938, o jovem Millôr ingressou no mercado de trabalho, como office-boy em um consultório médico e na revista O Cruzeiro, além de iniciar seus estudos no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Nesse ano, foi o vencedor em um concurso de contos da revista A Cigarra, onde passou a trabalhar.

No ano seguinte, escreveu para o Diário da Noite e se tornou diretor das revistas A Cigarra, O Guri e Detetive. Já em 1942, fez sua primeira tradução: A estirpe do dragão, da escritora americana Pearl S. Buck (1892-1973). Em 1943, terminou seus estudos no Liceu e retornou à revista O Cruzeiro.

Cinco anos depois, em 1948, o autor viajou aos Estados Unidos, onde conheceu Walt Disney (1901-1966). Nesse mesmo ano, casou-se com Wanda Rubino. Já em 1951, fez uma viagem pelo Brasil, durante quarenta e cinco dias, em companhia do escritor Fernando Sabino (1923-2004), com o intuito de conhecerem melhor o país. Em 1952, Millôr viajou para a Europa, conheceu a Itália e, em seguida, Israel.

A primeira peça teatral do autor — Uma mulher em três atos — estreou em 1953. A partir de então, ele iniciou uma carreira bem-sucedida no teatro. Também apresentou o programa de televisão Universidade do Méier, na TV Itacolomi, em 1959. No ano seguinte, sua peça Um elefante no caos estreou após censura. Com ela, Millôr Fernandes ganhou o prêmio de melhor autor da Comissão Municipal de Teatro.

O dramaturgo e desenhista conheceu o Egito em 1961. Dois anos depois, esteve também em Portugal. Nesse mesmo ano, abandonou O Cruzeiro e foi trabalhar no Correio da Manhã. Em 1964, criou a revista Pif-Paf. No mais, colaborou em vários periódicos durante a sua vida, tais como: O Jornal, Tribuna da Imprensa, Veja, O Pasquim, IstoÉ, Jornal do Brasil, O Dia, Folha de S. Paulo, Bundas e O Estado de S. Paulo.

Da década de 1960 até a sua morte, ocorrida em 27 de março de 2012, na Zona Sul do Rio de Janeiro, o teatro foi um dos principais meios de expressão do artista, mas ele participou também de programas de televisão.

No início de sua carreira, ele usava pseudônimo, mas, depois, decidiu assumir o nome Millôr, pois, em sua certidão de nascimento, o nome Milton ficou com o “t” sem traço, colocado sobre a letra “o”; já o “n” ficou faltando um pedaço, daí a palavra “Millôr”.

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