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MASSACRE NO RIO 25 MORTOS

Segunda maior chacina da história

Pelo menos 25 pessoas foram mortas na quinta-feira (6) durante a Operação Exceptis, da Polícia Civil, na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro. Entre os mortos, um seria policial. A operação visava combater grupos armados de traficantes de drogas que estariam aliciando crianças para o crime. A operação foi a ação policial mais letal da História do estado do Rio.

De acordo com a Polícia Civil, a região do Jacarezinho é um dos quartéis-generais da facção Comando Vermelho na zona norte e abriga “uma quantidade relevante de armamentos” protegidos por barricadas e táticas de guerrilha adotadas pelo grupo criminoso.

Durante o tiroteio pela manhã, dois passageiros do metrô foram feridos dentro de um trem da Linha 2, na altura da estação Triagem, na zona norte. Segundo o MetrôRio, o acidente ocorreu “após o vidro de uma das composições aparentemente ser atingido por projétil vindo da área externa”. Um passageiro foi atingido de raspão no braço e o outro por estilhaços de vidro. Ambos foram socorridos para hospitais municipais.

A polícia civil confirmou a morte do policial André Leonardo de Mello Frias durante a operação.

Num post no Facebook, a Secretaria de Polícia Civil afirmou que Frias “honrou a profissão que amava e deixará saudade” e que “lamenta, ainda, pelas vítimas inocentes atingidas no metrô”.

Um morador foi atingido no pé, dentro de casa, e passa bem. Dois policiais civis também se feriram.

 

O que diz a Polícia Civil

A Polícia Civil do Rio de Janeiro comunicou por volta das 7h30 da manhã de quinta-feira (06/05) a realização de uma operação contra traficantes no Jacarezinho. Segundo o comunicado, a polícia identificou, através de trabalho de inteligência e fazendo uso de quebra de sigilos autorizada pela Justiça, 21 integrantes da quadrilha, responsáveis por garantir o domínio do território através do uso de armas.

“Foi possível caracterizar a associação dessas pessoas com a organização criminosa que domina a região, onde foi montada uma estrutura típica de guerra provida de centenas de ‘soldados’ munidos com fuzis, pistolas, granadas, coletes balísticos, roupas camufladas e todo tipo de acessórios militares”, afirmou a polícia.

 

STF proibiu operações em favelas durante a pandemia

A operação de quinta-feira no Jacarezinho aconteceu apesar de decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que suspendeu, desde junho de 2020, operações policiais em favelas do Rio de Janeiro durante a pandemia.

A decisão permite ações apenas em “hipóteses absolutamente excepcionais”. Para isso, os agentes precisam comunicar ao Ministério Público sobre o motivo da operação.

Conforme reportagem do UOL de início de abril, a proibição pelo STF às operações em favelas reduziu em 34% o número de mortes por agentes de segurança na região metropolitana do Rio de Janeiro em 2020. Foi a primeira queda registrada desde 2013.

Conforme a plataforma digital Fogo Cruzado, que registra dados da violência no Rio, o único caso de operação policial em comunidades com mais mortes foi em uma operação na Baixada, em 2005, que resultou em 29 óbitos. Em terceiro lugar estaria uma chacina ocorrida em Vigário Geral, em 1993, com 21 mortos; seguida por operação na Vila Vintém, em 2009, que resultou em 19 mortos.

Em nota, O Governo do Estado do Rio de Janeiro lamentou as vidas perdidas na operação da Polícia Civil, mas defendeu a necessidade da operação. “A ação foi pautada e orientada por um longo e detalhado trabalho de inteligência e investigação, que demorou dez meses para ser concluído. Para garantir a transparência e a lisura da operação, todos os locais de confrontos e mortes foram periciados. É lastimável que um território tão vasto seja dominado por uma facção criminosa que usa armas de guerra para oprimir milhares de famílias”

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