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Há 15 anos o Brasil perdia o irreverente Elino Julião

Famoso nacionalmente pelo forró irreverente de raiz, cujas letras traziam com bom humor e romantismo o cotidiano da época, o potiguar Elino Julião deixou saudade. Falecido há 15 anos, vítima de um aneurisma cerebral, sua obra continua viva. Deixou com o legado alguns sucessos entoados até hoje por artistas da nova geração, como é o caso de “Forró da Coréia”, “Rabo do Jumento”, “Coqueiro Pirangi” e a quase profética “Vá com jeito”.

Conhecido pela forte ligação com a cultura nordestina, sobretudo a da região do Seridó potiguar, Elino Julião nasceu no município de Timbaúba dos Batistas, à época ainda Caicó, em 13 de novembro de 1936. Foi ele quem trouxe o sertão nordestino para ver o mar durante o tempo em que danou a bandeira do forró no pé-de-serra mais autêntico da cultura brasileira. Fez carreira no Rio de Janeiro e compartilhou palcos com Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga.

Filho de Sebastião Pequeno, tocador de cavaquinho, concertina e harpa. Foi menino butador d’água junto ao seu estimadíssimo jumentinho “Moleque”, no sítio Tôco, onde cantarolava batendo numa lata as modinhas que aprendia na festa de Santana em Caicó – RN. Na casa grande da fazenda, onde se reuniam os moradores da redondeza, Elino Julião fazia a alegria de seus amigos. Costumava sair da fazenda descalço e a pé, rompendo 18 km de caatinga para bater a famosa “peladinha” em frente à Igreja de Santana na cidade de Caicó e articular-se, claro, para cantar na sede do Caicó Esporte Clube, no domingo à tarde. Cantar para Elino, já era êxtase.

No ano de 1950, destemidamente o garoto de 14 anos carona no caminhão de Artur Dias e veio para Natal, se escondeu no bairro das Quintas e logo garantiu seu espaço para cantar no programa Domingo Alegre da Rádio Poti, junto ao radialista Genar Wanderley e no animado Forró da Coréia (onde hoje localiza-se a Arena das Dunas), forró esse que o inspirou a compor um dos seus grandes sucessos: “O forro da Coréia”.

Menino esperto que trouxe no sangue as raízes do autêntico “forró pé de serra” do sertão nordestino, registrou e divulgou com originalidade e alegria a cultura e as tradições dos folguedos populares nordestinos por mais de de 4 décadas.

Morreu em 20 de maio de 2006, aos 69 anos, vítima de um aneurisma cerebral.

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