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Há 15 anos, morte de Bussunda comovia o Brasil

Nesta quinta-feira (17), se completam 15 anos da morte do humorista carioca Cláudio Besserman Viana, mais conhecido como Bussunda. O ator morreu aos 43 anos, devido a um ataque cardíaco, na Alemanha, onde estava cobrindo a Copa do Mundo para o programa humorístico “Casseta & Planeta”, da TV Globo, do qual fazia parte desde 1992.

Além de humorista e ator, Bussunda também trabalhou como cronista e jornalista. Foi redator da revista Casseta Popular e do programa de humor “TV Pirata”, também na Globo.

No “Casseta & Planeta”, o ator ganhou grande destaque e fez uma série de personagens icônicos, como o ex-presidente Lula e o jogador Ronaldo.

Biografia

Bussunda nasceu no Rio de Janeiro, filho de Luís Guilherme Viana e Helena Besserman Viana. Era torcedor do Flamengo. Foi militante do Partido Comunista do Brasil. Casou-se em 1989 com a apresentadora Angélica Nascimento, de quem teve uma filha, Júlia, em 1993. Seu irmão Sérgio Besserman foi presidente do IBGE (por isso às vezes o IBGE era chamado no programa humorístico Casseta & Planeta, de que Bussunda participava, de “Instituto do Irmão do Bussunda”).

Não tendo sucesso na escola e na faculdade, Bussunda encontrou no humor e na alegria o que ele realmente queria fazer da vida; vivia dizendo que o humor o havia salvado. Junto com seus companheiros do grupo Casseta & Planeta, construiu uma carreira de sucesso na Rede Globo. Além do bom humor, uma de suas fortes características era zombar do próprio fato de ser comilão, o que o levava a imitar personagens com semelhante qualidade.

Com os mesmos companheiros de televisão escreveu onze livros, lançou três discos, encenou uma peça de teatro e protagonizou um filme em 2003, A Taça do Mundo é Nossa (com um segundo, Seus Problemas Acabaram, lançado em 2006 postumamente). Ainda no cinema, fez uma participação especial no filme Como Ser Solteiro e dublou o personagem principal da animação Shrek nos dois primeiros filmes, tendo falecido um ano antes do terceiro filme da saga.

 

Carreira

Bussunda não tinha interesse pelos estudos. Quando adolescente, chegou a ser reprovado com nota zero em todas as matérias. Ainda assim, no vestibular ficou em penúltimo lugar para o segundo semestre do curso de comunicação social da UFRJ. Como o mesmo disse: “Na faculdade pública, meus pais não podiam reclamar que pagavam mensalidade, e a faculdade ajudava no meu projeto de vida de não fazer nada. Não me formei, mas foram ótimos anos”.

Ele começou sua carreira trabalhando como redator do jornal humorístico Casseta Popular. Fundado por Beto Silva, Marcelo Madureira e Hélio de la Peña em 1978, o jornal fez sucesso no início da década de 1980 ao combinar o humor escrachado com a crítica política e de comportamento. Na época, ele ainda era estudante de jornalismo na UFRJ. Esse jornal daria origem à revista Casseta Popular e viria a se tornar um dos embriões do Casseta & Planeta.

 

Na década de 1980, Bussunda inicia suas participações na TV, primeiro como apresentador do programa adolescente de debates Cabeça Feita (TVE Brasil), mais tarde (1988) contratado como redator do programa TV Pirata, que era exibido na Rede Globo. Ainda em 1988, Bussunda se tornou destaque natural do show Eu vou tirar você desse lugar, início da parceria musical da Casseta Popular com o Planeta Diário (mais tarde, Banda Casseta & Planeta). A parceria se estenderia aos programas Doris para Maiores (1991) e Casseta & Planeta, Urgente! (1992 em diante).

Desde 1992, era um dos protagonistas do programa humorístico Casseta & Planeta, Urgente!, exibido pela Rede Globo. Mesmo após a criação do programa, Bussunda continuou a atuar como cronista e jornalista independente. Por exemplo, ele colaborou com várias revistas esportivas, como Lance! e Placar. Ele também participou de campanha publicitária “Sou da Boa”, da cerveja Antarctica.

 

Apelido

O apelido pelo qual Bussunda viria a ser conhecido no Brasil, teria vindo da aglutinação dos nomes Besserman e Sujismundo. Bussunda, ainda adolescente, na colônia de férias Kinderland, foi apelidado de “O Besserman Sujismundo” pelos seus colegas; daí “Bessermundo”, e mais tarde, “Bussunda”. O próprio Bussunda apresentava uma versão diferente para a origem do seu apelido, dizia que era a mistura “das duas coisas que eu mais gosto – aquela que começa com “Bus” e aquela que termina com “unda”.

 

Morte

Bussunda morreu de um ataque cardíaco em 17 de junho de 2006, no hotel em que estava, o Erb Best Western, no bairro de Parsdorf (município de Vaterstetten), a 16 km do centro de Munique, onde acompanhava a Copa do Mundo. No dia anterior, após uma partida de futebol com amigos do Casseta & Planeta e alguns hóspedes americanos do hotel, sentiu-se mal, mas dispensou assistência médica. Na manhã seguinte, após acordar, foi tomar o café da manhã no hotel onde estava hospedado e começou a passar mal; um grupo de paramédicos que também estava hospedado no hotel foi chamado, tentou reanimá-lo por mais de uma hora, mas foi um esforço em vão. Bussunda já havia morrido, às 8h30, hora local (3h30 no horário de Brasília). Faleceu oito dias antes de seu aniversário de 44 anos.

Bussunda foi sepultado no dia seguinte, no Cemitério de São João Batista, na capital fluminense. Enterrado como um “cristão”, este fato gerou e ainda gera muitas controvérsias entre a comunidade judaica e a família do humorista, pois ele sempre reiterara que era judeu e influenciado pela religião e cultura judaica, tendo sido membro da Hashomer, da linha sionista-socialista.

O Jornal Nacional do dia 17 de junho de 2006, dia em que o humorista morreu, mostrou as imagens da última gravação de Bussunda, que haviam sido feitas um dia antes da morte. Elas foram novamente ao ar pelo Casseta & Planeta Urgente! na semana seguinte como tributo ao humorista.

Em maio de 2010, o jornalista Guilherme Fiuza lançou o livro Bussunda: a Vida do Casseta, uma biografia sobre Bussunda e um pouco da história dos “cassetas”.

Homenagem

A filha de Bussunda, a roteirista Júlia Besserman (27), vai estrear como diretora comandando o último episódio da série documental Meu Amigo Bussunda. A produção estreia no Globoplay no dia 17 de junho, quando se completa 15 anos da morte do humorista. “Me forçou a revisitar a relação que tinha com ele e com o trabalho dele (…) Ele era meu parceiro de praia e, depois que morreu, fiquei míope e não fui muito mais à praia. Não vou sozinha, preciso ter alguém para saber se está seguro, porque mal enxergo as ondas. Ver o legado que deixou e a escola com o nome dele (um colégio municipal em Rio das Pedras) também foi bom.”, disse em entrevista a Globo.

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