DestaquePolícia

Ex-prefeito de Arraial é alvo de operação do MPRJ

Agentes do Ministério Público do Rio e da Polícia Civil realizaram na sexta-feira (27) uma operação em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, para cumprir mandado de prisão contra 12 pessoas, um deles contra o ex-prefeito da cidade Renatinho Viana, por suspeita de crimes ambientais. Até o fechamento desta edição, às 18h, Renatinho era considerado foragido da Justiça. Segundo fontes ligadas ao ex-prefeito, Renatinho iria se entregar à polícia a qualquer momento.

Alvo da Operação Parque Livre, o ex-prefeito é mais 16 pessoas foram denunciadas por organização criminosa armada, que promovia loteamentos ilegais em áreas não edificáveis, obtendo vantagem indevida com o parcelamento, venda e exploração do solo de áreas ambientalmente protegidas no Parque Estadual Costa do Sol (PECS), no núcleo da APA Massambaba, loteamento Miguel Couto, no distrito de Monte Alto, desde 2017.

A organização se expandiu até a administração e controle do Parque Estadual, para garantir que houvesse o impedimento direto e efetivo das ações fiscalizatórias dos guarda-parques, permitindo o avanço das invasões e das construções ilegais em Monte Alto, no município da Região dos Lagos.

Para tanto, foram fundamentais a atuação da denunciada Márcia Simões Mattos, na função de superintendente Regional do INEA; além do então chefe do Parque, André Cavalcanti, também denunciado, e apontado como peça-chave para ao esquema, uma vez que tinha poder de decisão direto sobre a atuação dos fiscais do Parque. Nessa condição, determinava expressamente, mediante ordem emanada como superior hierárquico, que os mesmos não impedissem o avanço das construções ilegais. Também foi denunciado Ranieri Porto Ribeiro, chefe do Parque até junho deste ano, que deu continuidade à conduta de impedir a efetiva atuação dos guardas em defesa da área de proteção ambiental.

Relata o MPRJ que ainda fazem parte do grupo PMs e bombeiros militares, cujo porte de arma impunha medo nos fiscais e na população local em se opor às suas determinações. Também foram denunciadas pessoas que executavam as obras e a negociação dos lotes. A prática da organização visava indivíduos humildes em situação de vulnerabilidade e que necessitavam de moradia, oferecendo terrenos ‘baratos’ para a construção de uma casa com fornecimento do chamado ‘kit invasão’, composto por pequena porção de terra, tijolos, telhas e demais materiais de construção. Ressalta a denúncia que, apesar de existirem indícios da atuação do grupo antes da posse do ex-prefeito denunciado, foi constatado nas investigações que a organização criminosa efetivamente se estruturou e potencializou suas atividades com a posse do mesmo no cargo, em 2017, e a partir da nomeação dos demais integrantes para Secretarias estratégicas, a fim de cumprir as atividades ilegais.

Além do ex-prefeito, o policial militar da reserva Márcio Veiga (‘Márcio Galo’), nomeado secretário de Ordem Pública; o irmão dele Josimar Veiga de Oliveira (‘Zima’), ex-subsecretário de Meio Ambiente; e Márcio Croce, ex-secretário de Meio Ambiente, também estão foragidos.

O inquérito também cita dois incêndios que aconteceram no parque em abril deste ano. Um deles consumiu o equivalente a cinco campos de futebol. A suspeita é de que os incêndios tenham sido criminosos, o que era uma prática muito comum, segundo as investigações, para facilitar o desmatamento para construções.

 

 

Presos

Até o fechamento desta edição, cinco pessoas tinham sido presas. Segundo a polícia, o primeiro preso foi Ranieri Porto, que começou a participar da organização criminosa quando atuava como guarda do parque ambiental Costa do Sol, o policial militar Sandro de Souza Mota, responsável por coagir as pessoas, e Marcos Vinícius da Silveira Barbosa, que tem residência na Costa do Sol e já trabalhou na prefeitura.

Ranieri e Sandro foram presos em Arraial do Cabo. Já Marcos foi preso em Cabo Frio e está na delegacia da cidade.

No mesmo horário, os agentes não tinham encontrado Renatinho em casa. Segundo a funcionária dele, o ex-prefeito viajou na quinta-feira (26) à noite.

Ainda na parte da manhã, foram presos os bombeiros Marcos Alexandre Martins Ozório e Michel Marques Carrir, além do policial militar Alexandre Pereira Mota.

Durante a coletiva, o MPRJ e 132ª Delegacia de Polícia disseram que eram realizadas fiscalizações na área de proteção pela Prefeitura e pelo Instituto do Estadual do Ambiente (INEA), mas as ações eram ‘fakes’. Os órgãos demonstravam publicamente preocupação com o local, quando, por trás das operações, estavam envolvidos no esquema, que favorecia diretamente o nome dos envolvidos.

Entre os alvos da operação também estão um servidor público da Prefeitura de Arraial do Cabo, quatro agentes do Instituto Estadual do Ambiente, funcionários do Parque Estadual da Costa do Sol.

Ainda de acordo com as investigações, os militares fazem parte de um grupo de milicianos da quadrilha e são o núcleo armado da organização. A corregedoria das duas corporações também participou da ação. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada do TJ-RJ.

 

 

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo