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Elizeth Cardoso, uma das maiores cantoras da música popular brasileira

Conhecida como “Divina”, Elizeth Cardoso (1920-1990) é considerada uma das maiores cantoras da música popular brasileira (MPB). Sua trajetória é marcada por um momento de convergência de dois movimentos: a chamada Era de Ouro do rádio e a invenção da bossa nova. Nascida em julho de 1920, a cantora faria 101 anos nesta sexta-feira (16). Mesmo tanto tempo após sua morte, ela segue lembrada como uma de nossas maiores vozes e precursora na luta das mulheres pelo reconhecimento na música.

Seu início de carreira foi aos 16 anos, quando conheceu Jacob do Bandolim, que, impressionado com a sua voz, a levou para um teste na Rádio Guanabara. Foram amigos por mais de 60 anos. O sucesso veio com a gravação do segundo disco, com os sambas “Canção de amor”, de Chocolate e Elano de Paula e “Complexo”, de Wilson Batista.

Elizeth Cardoso gravou mais de 40 LPs, sendo que de 1950 a 1954, só lançou canções em discos de 78 rotações. Foi dona de vários sucessos como “Dá-me tuas mãos”, Alguém como tu”, “Canção da volta”, e muitos outros. Em 1960, foi contratada pela Rádio Nacional, onde participou do programa “Cantando pelos Caminhos”.

Elizeth Cardoso é considerada uma das maiores intérpretes da música popular brasileira. Reverenciada pelo público e crítica, também fez sucesso fora do Brasil, com gravações de álbuns em Portugal, Venezuela, Uruguai, Argentina e México.

Morte

Apesar de ter viajado o mundo, e cantado em todos os países, só faltava um, que era seu sonho: conhecer o Japão. No fim dos anos 70 o viu pela primeira vez e ficou encantada. Passou a cantar lá com frequência, e passou a viajar a turismo, visitando diversas cidades.

Em 1987, recebeu o convite para uma excursão musical no Japão. Após o término dos espetáculos, ficou algumas semanas passeando pelo país, quando, hospedada no seu hotel, Elizeth se sentiu muito mal, com tonteiras, dores estomacais, até que vomitou sangue e desmaiou. Um dos funcionários do hotel a achou caída, e a cantora acabou sendo internada às pressas. Rapidamente, após uma endoscopia, os médicos japoneses diagnosticaram um câncer no estômago, ou seja, um carcinoma gástrico, que obrigou a cantora a passar por uma cirurgia emergencial, para conter o sangramento e diminuir o tumor.

Seus filhos foram visitá-la, e após algumas semanas internada, pôde voltar ao Brasil, acompanhada deles. Ela passou a se tratar com um gastroenterologista. Apesar de tomar medicamentos e fazer os mais avançados tratamentos contra a doença, o tumor havia crescido mais, depois de temporária remissão, e se espalhado. Elizeth passou os últimos três anos de vida à base de muitos medicamentos, tendo sofrido significante perda de peso, além de fortes dores estomacais e abdominais. Essas agruras de saúde não a abatiam.

Tendo a oportunidade de descansar mais, alimentar-se melhor e cancelar muitos shows, dava um jeito de permanecer próxima àquilo que tanto amava: a música. Quando conseguia ter forças para andar, com ajuda, subia ao palco e fazia shows, e muitas vezes não conseguia ir até o final, mas o público era compreensivo. Não suportando mais tanto sofrimento, e já internada, a cantora faleceu às 12h28min, do dia 7 de maio de 1990, na Clínica Bambina, no bairro de Botafogo. Elizeth Cardoso foi velada no Teatro João Caetano, onde compareceram milhares de fãs. Foi sepultada, ao som de um surdo portelense, no Cemitério da Ordem do Carmo, no Caju.

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