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Dois anos sem Tavito, da Rua Ramalhete

Há exatamente dois anos, o Brasil perdia Luiz Otávio de Carvalho, o Tavito.  O músico, autor de temas como “Casa no Campo”, morreu em 26 de fevereiro de 2019 em São Paulo. Na época, ele tratava um câncer na língua e estava internado no hospital Santa Maggiore.

Nascido em Belo Horizonte, Luís Otávio será sempre o Tavito da “Rua Ramalhete”. A rua de cinco quarteirões, que tem início no Anchieta e termina na Serra, o inspirou a compor (em parceria com Ney Azambuja) os versos “De uma rua e seus ramalhetes/O amor anotado em bilhetes/Daquelas tardes”.

Tavito foi um dos grandes cantores e compositores da musica mineira, autor de clássicos como “Rua Ramalhete”, “Começo Meio e Fim”, “Naquele tempo” e da antológica ‘Casa no Campo”, com o qual Elis Regina lançou ele e Zé Rodrix no mundo da canção popular.

 

Parcerias de Tavito ao longo da carreira

Um gênio do tamanho da sua generosidade. Fez parcerias várias, com compositores de norte a sul do País, de figuras consagradas da música e compositores novos e independentes.

Além de Zé Rodrix, nomes históricos de parcerias mais antigas, como Ney Azambuja (“Rua Ramalhete”), “Ricardo Magno (“Água e Luz”), Rocknaldo (“Um certo filme”) e Aldir Blanc (“Pálida”); parceiros dos dois trabalhos mais recentes, como Alexandre Lemos (“Embora”), Juca Novaes (“Adrenalina Pura”), Renato Teixeira (“Bolero”), Elder Braga (“As meninas”), Luís Carlos Sá (“O dia em que nasceu nosso amor”) e Léo Nogueira (“Ponto Facultativo”).

 

Carreira

Tavito ganhou seu primeiro violão aos 13 anos e autodidata, começou a participar de serenatas e festas. Foi companheiro de geração de Milton Nascimento e de outros músicos mineiros, tais como Toninho Horta, Tavinho Moura e Nelson Angelo. Em 1965 conheceu Vinicius de Moraes, que apreciou seu estilo e o convidou a participar de suas apresentações na capital mineira. Mais tarde, participou do conjunto Som Imaginário e no final da década de 1970 seguiu carreira solo. Produziu discos de alguns artistas como Marcos Valle, Renato Teixeira, Selma Reis e Sá & Guarabyra.

Ficou sem realizar espetáculos entre 1992 e 2004, época em que se dedicou às composições, aos arranjos e à publicidade. Seu mais recente trabalho foi o CD ‘Mineiro’, em que mostra sua verve eclética e multifacetada, com parceiros novos e também com os consagrados.

 

Sua Obra

Tavito foi, a propósito, um dos maiores compositores de jingles da propaganda brasileira, autor de peças históricas como “Marcas do que se foi” (1976), com a produtora ZURANA e espécie de “hino” de todo réveillon que se preze; e “Coração verde e amarelo”, para a Globo na Copa de 1994 e que virou vinheta das transmissões de futebol da emissora. Uma grande lembrança para a carreira do músico

Assim como o amigo Milton Nascimento, foi também um dos frequentadores do lendário Clube da Esquina e integrou, como lembrou Milton várias vezes, o ‘Som Imaginário’, grupo fundamental de instrumentistas que contava ainda com o pernambucano Naná Vasconcelos na percussão.

O ‘Som Imaginário’ voltou a se reunir em 2019 e este era um dos trabalhos mais recentes de Tavito, que também vinha se apresentando em várias capitais do País.

Ao lado de se companheiro Zé Rodrix inaugurou uma fase nova na música brasileira, batizada de “rock rural”, com canções feito “Casa no Campo”, deixando milhares de seguidores e admiradores.

Tavito partiu depois de lutar incansávelmente contra um câncer de língua que derivou para uma infecção. Estava internado na UTI do Hospital Sancta Maggiore, em São Paulo.

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