Turismo

Conheça Soyo, o berço da Angola

Localizado no norte de Angola, junto ao Congo, a cidade de Soyo oferece uma incrível paisagem africana inexplorada. O município do Soyo possui uma localização geográfica esplêndida para o desenvolvimento do sector turístico e hoteleiro. Porta de entrada do Rio Zaire, o segundo maior de África, Soyo dispõe de praias deslumbrantes.

Pouco visitada (ainda) pelos turistas de fim-de-semana, o Soyo é terra de reis, de lendas, de feitiços e de muita História. E margem de um dos rios mais importantes do mundo, espectacular em paisagens, riqueza e tradição. Casa-mãe de Angola. De visita obrigatória.

Uma das principais manifestações religiosas da cidade é a Festividade de Santo Antônio do Zaire, promovida pela Diocese de Mabanza Congo. É uma tradição muito antiga, vinda do período da Missão Católica de Santo António da Pinda.

 

HISTÓRIA

A Angola nasceu no Soyo. A afirmação pode ser controversa, mas o Soyo, definitivamente, foi o lugar-zero do instante em que a nação angolana, fechada nas fronteiras atuais, começou, às turras e cabeçadas, a ser forjada. Em caminhos tortuosos, nos séculos que se seguiram à chegada das caravelas, este território (o tal de Cabinda ou Cunene e do mar ao leste) tornou-se casa de todos nós. E a antiga capital do reino do Soyo foi a sua pia baptismal.

Entre finais de 1482 e inícios de 1483 chegaram às praias do Soyo, foz do rio Zaire, as naves oceânicas do português Diogo Cão. Pela primeira vez, o mar, o kalunga, era atravessado por essa gente de pele branca, nariz afiado. Eram, juravam os habitantes daquelas paragens, espíritos da morte. O espanto – de “tugas” e habitantes do Soyo, na altura integrado no Reino do Congo – foi imenso. Mas as relações eram cordiais.

O tempo passou, e a História conta que, numa segunda viagem de Diogo Cão, veio também a cruz, a religião, o baptismo dos reis, lá na sua Mbanza Congo capital. Depois a desconfiança, a manipulação, a guerra. A traição, a desintegração do Reino do Congo, e o domínio colonial português em toda a sua dimensão. E a Dipanda que restituiu ao Soyo a sua dignidade.

Extensa linha do tempo resumida em duas frases que, para esta cidade tem um significado especial. Neste município que já se chamou Santo António do Zaire, a História ela foi marcada a pedra branca, no Padrão de São Jorge que Diogo Cão cravou nas areias da (hoje) chamada Ponta do Padrão, lugar lindíssimo. Dizem que foi do navegador português a ideia de substituir as antigas cruzes de madeira que iam assinalando os lugares de passagem dos marinheiros, por padrões de pedra. Este foi um dos primeiros, erguido no lugar que Diogo Cão pensava ser o ponto mais a sul de África.

As cruzes, no entanto, não foram totalmente abandonadas. Ou não representassem elas o poder evangelizador usado como estratagema para acelerar a colonização dos territórios onde os portugueses chegavam. Em Mpinda, antigo porto do Soyo, uma cruz assinala a primeira missa católica rezada naquelas paragens. Ali, contam, em 1491 foi baptizado o Mani-Soyo e outros dignatários do Reino do Congo. Dali partiram também, nos séculos seguintes, milhares e milhares de escravos com destino ao Brasil e São Tomé e Príncipe, sobretudo.

 

COMO CHEGAR

Várias companhias aéreas, como a TAAG, têm ligações frequentes para o Soyo, a partir de Luanda. É a forma mais prática e rápida de viajar.

 

ATRATIVOS

Os lugares de interesse histórico do antigo Reino do Congo, vitais para o turismo na região, são vários e, pouco a pouco, vão sendo valorizados. Quando for ao Soyo, visite o Cemitério dos Reis do Congo, e suba ao Zaire até às quedas de Ielala, onde Diogo Cão e alguns outros marinheiros reivindicaram para o Rei D. João II de Portugal aquelas paragens, com inscrições nas pedras junto ao rio.

RIO ZAIRE – Explore, então o rio Zaire, lugar de extrema beleza. Como força bruta, esta língua de água de mais de 4700 km que vem do norte da Zâmbia num sobe e desce, cruza por duas vezes a linha do Equador e vem morrer nas praias do Soyo, num estuário de cortar a respiração. O conjunto de braços de água rodeados de mangais, com a República Democrática do Congo do outro lado, é um espetáculo à parte. Viaje numa das canoas dos pescadores locais, enquanto não chegam os projetos de revitalização do turismo à região que prometem catamarãs.

PEDRA DO FEITIÇO – Nas margens do Zaire, visite também a Pedra do Feitiço, altar de uma antiga kimbanda conhecida em toda a região, ali no alinhamento entre dois canais do rio (também conhecido por Congo). E não perca um dia na praia da Sereia, um fantástico cordão de areia arborizado, que rodeia pontos de água interiores.

PORTOS – Os portos Rico e do Mpinda, hoje em ruínas, utilizados pelos colonialistas portugueses para embarcar para a escravatura além-mar os melhores filhos deste país, são outros locais de interesse histórico que, devidamente aproveitados, podem levar muita gente a interessar-se pela história local e do país, gerar receitas e criar empregos.

PADRÃO DE SÃO JORGE – O Padrão de São Jorge, que Diogo Cão ergueu quando pisou pela primeira vez terra africana, nesta ilha, é um dos primeiros marcos históricos a visitar no Soyo.

PATA DE MARIA – A famosa Pata de Maria, um local místico, com cerca de 20 metros de diâmetro, em que, misteriosamente, não cresce capim, localizado na Ilha da Ponta do Padrão, constitui uma outra atracção para os visitantes. Segundo a lenda, os colonialistas, numa das suas expedições, encontraram e levaram para Portugal dois santos: Santo António e Santa Maria. Esta última, dizem, nunca chegou ao destino final e, num dia de tempestade no mar, saltou do barco e foi ali cair, tornando-o assim num lugar sagrado.

IGREJA DE MPINDA – A Igreja da Missão de Santo António do Mpinda, onde se estabeleceu a primeira missão católica da África Austral e que está classificada como Património Nacional, continua, ainda hoje, a receber cerimónias onde as vozes dos coros se fazem notar. Construída em 1943, é antecedida por uma avenida ladeada por mangueiras centenárias e emociona quem a atravessa.

PRAIAS – Se as praias continuam a ser uma atracção especial, e aqui destacam-se a Praia dos Pobres, do Kifuma, do Tombe e do Kivanda, a subida da foz do rio proporciona emoções muito fortes. O rio Zaire é o segundo maior da África, depois do Nilo, e o sétimo maior do mundo, com uma extensão total de4.700 km, e em volume de água é o primeiro de África e o segundo do mundo, a seguir ao Amazonas. Esta descrição dá pistas sobre a espetacularidade que o envolve.

De canoa, embrenhe-se nos canais de Pululu e Kimbumba e aprecie a paisagem que resulta da força do rio, ladeado por raízes de mangais cuja folhagem cerrada tapa a luz do sol, tornando o ambiente sombrio, mas ao mesmo tempo belo e exótico.

Se optar por um passeio em direção à foz, pode visitar a Ilha do Kifundango, o Farol, os canais da Moita Seca, a Ponta do Padrão, a Ilha de Luamba e, finalmente, o troço do rio onde há mais de 500 anos funcionou o Porto M’Pinda para comércio e embarque de escravos. No final, quando o rio desagua no Oceano, o impacto do encontro entre as águas fica gravado na memória.

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