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COM MEDALHA GARANTIDA

Abner Teixeira parte para a guerra em busca do ouro

Depois de nove minutos de uma dura batalha, contra um adversário que saiu na frente e chegou a comemorar no final, Abner Teixeira ouviu a decisão dividida dos juízes e, finalmente, desabou. Cair no chão do ringue da Kokugikan Arena, em Tóquio, foi o jeito que o boxeador brasileiro encontrou para comemorar o pódio olímpico. Ao vencer Hussein Eishaish, da Jordânia, Abner garantiu uma vaga nas semifinais dos pesos pesados do boxe nos Jogos Olímpicos. E, agora, mesmo que perca a próxima luta, já tem um bronze garantido, já que no boxe não há definição de terceiro lugar.

“Eu senti alívio, porque a luta foi dura, não foi manteiga não. Foi estilo Rocky Balbo, vai e vem, por isso o alívio”, disse o brasileiro depois do confronto. O jordaniano Hussein venceu o primeiro round e Abner teve que se esforçar ainda mais para sair vitorioso. “Primeiro round o cara veio igual um trator para cima de mim, mas eu consegui uns contragolpes bem encaixados. No segundo, eu conseguiu desequilibrar a luta e, no terceiro, eu sabia que ia ter que ir para o tudo ou nada, porque estava 1 x 1. Medalha olímpica é guerra”, contou.

O boxeador paulista de 24 anos agora vai enfrentar o cubano Julio La Cruz para tentar ir à final e brigar pelo ouro. Perguntado se a sensação de alívio após a luta também refletia uma tranquilidade por já ter garantido uma medalha olímpica, Abner foi direto: “Não tem tranquilidade, é guerra. A gente tá na guerra e só acaba quando eu estiver no pódio, se Deus quiser, com a medalha de ouro”.

Mas, independentemente da cor da medalha, o feito de Abner já garantiu a meta da Seleção Brasileira de boxe em Tóquio. “A gente veio com um prognóstico de uma medalha, e com expectativa do masculino de chegar em disputa. Então a gente alcançando uma medalha no masculino e outra no feminino, a gente está com o prognóstico de Tóquio alcançado. Estamos satisfeitos com o trabalho”, disse Mateus Alves, treinador principal da seleção. A medalha no feminino, dada como praticamente certa, é a de Beatriz Ferreira, campeã mundial em 2019 e que estreou nesta sexta-feira (30.07) já mostrando a que veio.

Bia veio para os Jogos Olímpicos de Tóquio com um objetivo bem definido: conquistar a “mãe de todas”, como ela se refere à medalha de ouro olímpica. Nesta sexta, ela deu o primeiro passo para alcançar a meta: venceu Shih-YI Wu, de Taipei, e avançou para as quartas de final do peso leve feminino no boxe olímpico.

Campeã mundial em 2019, Bia Ferreira não teve dificuldades em sua estreia. O combate foi tranquilo, com a brasileira dominando os três rounds e vencendo por decisão unânime dos juízes. Mas se pareceu fácil para quem estava de fora, para Bia a vitória é fruto de muito trabalho e confiança. “Fácil não é, são cinco anos treinando para isto aqui. Eu estava pronta, me senti confiante e consegui executar bastante o que a gente tinha pensado”, disse.

Além de treinar muito, Bia também estuda o máximo possível as adversárias e mantém concentração total na busca pelo ouro. Antes dos Jogos, ela preferiu evitar muita exposição e possíveis distrações. E mesmo na Vila Olímpica usa o tempo livre para assistir lutas de boxe. “Eu amo ver luta. A gente está estudando o tempo todo. Eu sou o alvo, então eles me estudam e eu também tenho que estudar. Sempre estudei, na verdade. Tenho uma excelente equipe e eles conseguem facilitar meu trabalho, falando o que eu devo fazer, mas é claro que o atleta tem que sentir e confiar, executando o trabalho. E deu certo, né? Saí vitoriosa”, festejou.

Nem o fato de ser o “alvo” e entrar como favorita no torneio mexe com a concentração da brasileira. “Eu não me prendo nisso não, até esqueço que sou o alvo, eles que me lembram (os treinadores), mas é isso aí, estou pronta para qualquer um. Subiu no ringue, pode ser quem for, se está contra mim eu vou para cima”, garantiu.

Bia agora vai enfrentar Raykhona Kodirova, do Uzbequistão, pelas quartas de final do torneio. A luta está marcada para a próxima terça-feira (03.08), às 5h (de Brasília). Se vencer, Bia vai para a semifinal e já garante ao menos uma medalha de bronze.

 

Keno dá adeus

Keno Machado estreou nos Jogos Olímpicos aos 21 anos. Na primeira luta, ele conseguiu vencer o chinês Daxiang Chen e avançou para as quartas de final. Contra o britânico Benfamin Whittaker, no entanto, o meio pesado brasileiro encarou um adversário bem mais complicado. A luta foi parelha, com Keno perdendo o primeiro round e ganhando o segundo. No terceiro, no entanto, três juízes deram vitória para o inglês e só dois para Keno, o que acabou definindo o resultado e decretou o adeus do brasileiro.

“Foi uma luta boa, lutei contra um adversário bom também, o inglês tem bastante história no boxe. Estou feliz com o resultado que eu consegui desempenhar nestes Jogos Olímpicos, graças ao trabalho que fizemos, apesar da minha pouca idade, eu consegui acumular bastante bagagem para fazer meu primeiro ciclo olímpico tão bem assim”, avaliou o boxeador brasileiro. Para ele, este ciclo olímpico foi só o primeiro de outros que virão. “Vamos continuar o trabalho para termos resultados melhores em Paris. O resultado que queremos é o ouro, isso que eu estou buscando”, resumiu.

 

Investimento federal

O boxe recebeu repasse direto via Bolsa Atleta do Governo Federal de R$ 6 milhões no ciclo Rio – Tóquio, investimento que se reverteu na concessão de 431 bolsas. Seis dos sete integrantes da equipe brasileira em Tóquio são atualmente contemplados, mas os sete já receberam os recursos do programa durante o ciclo. Jucielen Romeu, Graziele Sousa e Keno Machado já se despediram dos Jogos.

Wanderson de Oliveira, que venceu a primeira luta, encara nas oitavas de final do peso leve masculino o boxeador Dzmitry Asanau, da Bielorrússia. A luta de Wanderson está marcada para este sábado (31), às 6h18 (de Brasília). No domingo (01.08), quem entra no ringue em busca de um lugar na semifinal do peso médio masculino é Hebert Sousa, que encara Abilkhan Amankul, do Kazaquistão, em confronto marcado para as 6h18 (de Brasília).

 

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