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Caminhoneiros protestam em rodovias de 14 estados

Caminhoneiros realizavam protestos em 14 Estados na quinta-feira (09) e em cinco deles – Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina – haviam interdições da pista, informou o Ministério da Infraestrutura.

A mobilização dos caminhoneiros acontecia apesar de um áudio enviado às lideranças pelo presidente Jair Bolsonaro, pedindo o fim dos atos por receios de que agravem a inflação e a já débil situação econômica.

Além do apelo por áudio, Bolsonaro, que tem nos motoristas de caminhão uma importante base de apoio, tinha reunião prevista por videoconferência ainda na quinta com lideranças da categoria em busca de parar os protestos.

A autenticidade da fala de Bolsonaro foi confirmada pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, mas ainda assim lideranças dos caminhoneiros duvidavam da veracidade ou apontavam que o pedido foi protocolar, apenas porque, como presidente, Bolsonaro não poderia apoiar abertamente o movimento.

De acordo com boletim divulgado pelo Ministério da Infraestrutura às 11h, além dos Estados onde há bloqueio de pistas, existem mobilizações com abordagem de motoristas em estradas de Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Rondônia, Pará e Roraima.

 

Filas em postos

No Rio de Janeiro, a lembrança da greve dos caminhoneiros que paralisou o país em 2018 provocou filas em postos de combustíveis de motoristas temerosos com a possibilidade de um desabastecimento, como ocorreu há três anos. Naquele Estado, lideranças dos caminhoneiros prometiam novos atos ainda na quinta e na sexta.

Cerca de 80 caminhoneiros tentaram um bloqueio no sentido Petrópolis da Rodovia Washington Luís, na altura da Refinaria de Duque de Caxias.  Os manifestantes impediram a passagem de caminhões na pista principal, gerando um quilômetro de retenção. Houve bloqueios também na BR-101 e na BR-493.

De madrugada, motoristas chegaram a flagrar uma barricada com pneus pegando fogo na Rodovia Washington Luís. A Polícia Rodoviária Federal acompanhou o ato.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, há ainda ameaça de fechamento da BR-101, em Campos (RJ), no norte do estado, sentido Rio de Janeiro, onde manifestantes também realizaram o bloqueio para impedir a passagem de veículos de carga.

Cerca de 200 pessoas estavam no local. Por lá só passavam caminhões com carga viva e insumos hospitalares. Na BR-493, em Itaboraí (RJ), na Região Metropolitana, também houve movimentação de manifestantes.

A Dutra chegou a registrar bloqueios na quarta-feira (8), mas está sem a presença de caminhoneiros na paralisação no trecho do Rio de Janeiro, na quinta-feira (9).

Na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, cerca de 40 caminhões ocupam a pista desde o feriado do Dia da Independência, na terça-feira (07), quando em manifestações convocadas pelo presidente, Bolsonaro repetiu ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaçou a corte com uma ruptura institucional. A Polícia Militar negociava a retirada dos caminhões.

Além das pautas colocadas por Bolsonaro –impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e defesa do voto impresso– os caminhoneiros colocaram também as suas nos atos desta quinta, centradas na queda do preço dos combustíveis e comprando a versão propalada por Bolsonaro de que alta nos preços é responsabilidade do ICMS cobrado pelos Estados.

Em uma tentativa de desmobilizar a categoria, Bolsonaro lembrou em áudio que a paralisação dos caminhoneiros pode agravar a inflação, que tem sido determinante na queda de popularidade do presidente apontada por pesquisas de opinião.

“Fala para os caminhoneiros aí, são nossos aliados, mas esses bloqueios aí atrapalham a nossa economia, isso provoca desabastecimento, inflação. Prejudica todo mundo, especialmente os mais pobres. Então dá um toque aí nos caras, se for possível, para liberar, tá ok, para a gente seguir a normalidade”, disse o presidente em um áudio enviado por mensagem a interlocutores da categoria.

Entretanto, o apelo do presidente não surtiu efeito até o momento. Mais cedo, às 8h30, o Ministério da Infraestrutura afirmou que não haviam interdições nas estradas federais, mas esse cenário mudou com bloqueios em cinco Estados no final da manhã.

“Primeiro que ele como presidente da nação não poderia tomar partido, até porque prejudicaria o nosso próprio movimento. O nosso movimento é livre, são pais de família e mães de família aqui, da área do caminhão, da área da agricultura, que decidiram parar porque não aguentam mais”, disse a caminhoneira Claudia Isabel, que participava do bloqueio pela manhã na rodovia Régis Bittencourt, na altura de Embu das Artes (SP). A pista foi posteriormente liberada por volta das 7h30.

“Não é porque ele (Bolsonaro) falou ou deixou de falar, a gente está lutando por um país melhor”, acrescentou.

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