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Barbosa Lessa: um ícone da cultura e do tradicionalismo

Muito além dos rótulos de tradicionalista e folclorista que lhe foram imputados, o artista multimídia Luiz Carlos Barbosa Lessa foi, antes de tudo, um escritor. Autor de clássicos da música regional como Negrinho do Pastoreio, Balaio, Pezinho, Quero-quero, Cantiga de Eira – recentemente gravada por Marcelo Delacroix – e Balseiros do Rio Uruguai, Barbosa Lessa também adensou sensivelmente o tema da formação da sociedade gaúcha em sua literatura múltipla.

O escritor gaúcho Barbosa Lessa morreu aos 72 anos em 9 de março de 2002, no hospital Nossa Senhora de Aparecida, em Camaquã (RS) de câncer no pulmão. Nascido em uma chácara na cidade de Piratini, Lessa deixa uma obra que inclui 61 livros, peças de teatro, ensaios, músicas e trabalhos jornalísticos. Em 2000, foi premiado pela Academia Brasileira de Letras pelo romance “”Os Guaxos”.

Aos 20 anos, iniciou as pesquisas sobre o folclore gaúcho. Nos anos 1950, começou a dirigir um programa sobre música regional da Rádio Farroupilha. Em 1951, publicou “As mais belas poesias gauchescas”, antologia onde fez a seleção e apresentou as notas bibliográficas. Em 1953, o Conjunto Farroupilha gravou sua composição “Negrinho do pastoreio”, que se tornou uma espécie de prefixo das apresentações do conjunto e um dos clássicos da música gaúcha. No mesmo ano publicou “Chimarrão”, uma história da erva-mate.

Em 1954, mudou-se para São Paulo, onde, em contato com Inezita Barroso, passou a fazer divulgação de danças gaúchas em programas de rádio. No mesmo ano publicou a tese “O sentido e o valor do tradicionalismo”. Na mesma época, trabalhando com Paixão Cortes, recolheu diversos temas folclóricos gaúchos, entre os quais “O anu”, “Balaio”, “Chimarrita balão”, “Maçanico”, gravadas no ano seguinte.

Ainda em 1955, publicou com Paixão Cortes o “Manual de danças gaúchas”. Em 1956, compôs tema regional gaúcho para o filme “O sobrado”, de Walter George Durst. No mesmo ano publicou a comédia regional “Não te assusta Zacaria”, representada pelo Grupo Folclórico Brasileiro, no Teatro São Pedro, em Porto Alegre.

Em 1957, teve o xote “Chimarrita cafuné” e o rasqueado “Feitiço índio” gravados por Inhana, da dupla Cascatinha e Inhana, na Todamérica.

Em 1958, gravou o lenço branco “Entrevero no jacá”, feito em parceria com Danilo Vidal, também gravada no mesmo ano pelo Conjunto Farroupilha, e a missioneira “18 de junho”, de sua autoria e José Manzano Filho. No mesmo período, Carla Diniz e Carlito Gomes gravaram “Andarengo” e o madrigal “Quero-quero”. Ainda em 1958, compôs para o filme “Paixão de gaúcho”, de Walter George Durst, as composições “Terra morna”, “Generoso” e “Feitiço índio”.

No mesmo ano publicou o livro de contos regionais “O boi das aspas de ouro” e “Primeiras noções de teatro” para professores e estudantes de curso avançado. Entre 1958 e 1960, viajou do Amazonas ao Rio Grande do Sul recolhendo composições do folclore. No mesmo período promoveu diversos shows com o grupo Titulares do Ritmo.

Publicou em 1959, o romance regional “Os guaxos” e, no ano seguinte, “Estórias e lendas do Rio Grande do Sul”. Em 1962, a peça teatral sobre o folclore paulista “A rainha de Moçambique” foi publicada e representada pelo Tefa, Teatro do Estudante Francisco Alves, em São Paulo. No mesmo ano produziu o disco “O Rio Grande do Sul ou o gaúcho canta”, com o grupo Titulares do Ritmo, e promoveu no Centro de São Paulo uma feira de arte popular reunindo artistas de todo o Brasil.

Em 1967, publicou “Coxilhas coloradas”. Em 1974, retornou ao Rio Grande do Sul, continuando a dedicar-se à pesquisa sobre os temas gaúchos. Foi convidado e aceitou ser o secretário estadual de Cultura, em 1979.

Idealizou e pré-inaugurou, em 1983, a Casa de Cultura Mário Quintana. Publicou, em 1976, “Porto Alegre: terra gente” e, em 1978, “Usos e costumes gaúchos”. Em 1979, foi a vez de “O gaúcho ontem e hoje”, e, no ano seguinte, “Problemas brasileiros, uma perspectiva histórica”, em dois volumes.

Em 1981, publicou “Calendário histórico-cultural do Rio Grande do Sul”; em 1984, “Rio Grande do Sul – Prazer em conhecê-lo”; e, no ano seguinte, em parceria com Paixão Cortes, “Aspectos da sociabilidade do gaúcho”. Em 1987, aposentou-se e mudou-se com a mulher para Camaquã (BA), mantendo com ela uma reserva ecológica.

Em 1997, publicou “Almanaque dos gaúchos”. Além de trabalhar em emissoras de rádio e de televisão, foi roteirista de cinema e redator de histórias em quadrinhos. Foi um dos fundadores do 35 Centro de Tradições Gaúchas de Porto Alegre.

Foi criador do Grupo Folclórico Brasileiro, conjunto regional dirigido por ele. Em 2002 foi lançado pelo selo ACIT o CD “Barbosa Lessa: 50 anos de música”, trazendo entre outras, a toada “Negrinho do pastoreio”, que marcou a estréia do Conjunto Farroupilha em 1953, a dança tradicionalista “Balaio”, com Inezita Barroso, “Milonga do moço velho” e o xote “Aroeira”, com Luiz Gonzaga.

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