Movimento Negro de Cabo Frio marca 35 anos de resistência

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O Bar Chapelão, palco de muitos encontros importantes na história Cultural de Cabo Frio, na Região dos Lagos, recebeu no último sábado (4), membros da nova diretoria do Movimento Negro.

Belo pela vista privilegiada, o lugar ficou conhecido por causa do vendedor de camarão José Felix – Zé do Chapelão que com sua esposa Araci de Freitas Felix deram início (1954) a moda dos primeiros vendedores de camarão no espeto na Praia do Forte. Diferenciado, vendia camarão frito no palito confeccionado artesanalmente pelo próprio, o que deu origem ao nome deste lugar paradisíaco, Chapelão. Por essas e tantas outras razões culturais a terceira reunião do Movimento Cabofriense de Pesquisa das Culturas Negras (MCPCN), aconteceu no local por entender a importância deste novo momento em que passa a instituição; com um belo café da manhã.

O movimento do município de Cabo Frio, há 35 anos vem desenvolvendo atividades, projetos que buscam manter as suas raízes vivas e a luta contra a discriminação racial. O Brasil ainda é um país que anuncia nos meios de comunicação, todos os dias, o crescimento da violência contra a população negra. Um dado que só reafirma a conscientização de ter que investir mais na educação através das nossas histórias de lutas e resistências; não remeterem-se as histórias do passado é cometer um erro na base da construção da luta contra a discriminação racial.

Para a superintendente da Promoção da Igualdade Racial e Direito das Mulheres de Arraial do Cabo, Região dos Lagos, Josimaria da Silva Moraes o momento é de agradecer e celebrar a força da Instituição. “Tenho orgulho de ter sido membro deste Movimento; gratidão por ele ajudar a estrutura do Momento Negro de Arraial do Cabo, fundado em 13 de maio de 1993. Avançamos muito. Parabéns ao MCPCN, que foi e é um exemplo para ser seguido pelos demais da região dos lagos.”

As conquistas e avanços do MCPCN foram de suma importância no processo de desenvolvimento da Cultura afro descendente.

O departamento de Cultura Afro, Superintendências de Cultura Afro e a Superintendência de Igualdade Racial, hoje, conquistadas pelo movimento norteiam debates e decisões nas questões afro descendentes.  A Semana Teixeira e Sousa, Noite da beleza negra, Noite das Constelações Negras (homenagem a negros e negras que se destacam em vários setores), Conferências de Igualdade Racial, a criação do projeto de apoio à moradia a estudantes Universitários no Rio de Janeiro, Projeto de Identificação das Terras Remanescentes Quilombolas visando à titularidade das áreas (iniciando com o Quilombo Botafogo) e os atendimentos as pessoas que sofreram atos de discriminação são algumas ações que mostram os avanços do segmento. Destaca-se na área de saúde a discussão sobre animais falciforme buscando a incluir no teste do pezinho a identificar o portador.

O presidente Manoel Justino, irá assumir na próxima segunda-feira (13), mesmo dia que se comemora o Dia da Abolição da Escravatura, em solenidade na Câmara Municipal de Cabo Frio às 18 horas e diz: “É hora de continuar somando forças com todos os Movimentos da Região. Estamos comemorando 35 anos de luta e resistência nas questões que entendemos ser importantes para o nosso crescimento. Quero reafirmar meu compromisso com a luta e convidar a todos, para que juntos possamos avançar e traçar caminhos que venham dar respeito e dignidade a todos nós”, finalizou.

Autoridades governamentais e da sociedade civil já confirmaram suas presenças na posse da nova diretoria do MCPCN. Toda população está convidada a estar presente para mais um grande capítulo de vitória na história do movimento.

A Associação de Mulheres Negras e Afridescendentes da Rasa (SOMUNEAR), em Búzios, parabeniza a trajetória do Movimento Negro de Cabo Frio desde sua fundação completando hoje 35 anos. “Os movimentos que garantam as relações étnicas raciais da Região precisam estabelecer sempre um diálogo para nosso fortalecimento político ancestral, acreditamos que o país não tirou as correntes do pensamento entendendo e respeitando o papel da população negra na construção do país. Quantos anos teremos que seguir afirmando que as ações afirmativas são necessárias para a evolução do país?”, questiona a fundadora e presidente da Associação, Sirlei de Souza.

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