12 anos de Lei Maria da Penha – Operação prende mais de 30 suspeitos de crime contra a mulher no Estado

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Uma operação das Delegacias Especiais de Atendimento a Mulher (Deams) prendeu, na manhã de terça-feira (7), 34 suspeitos de violência doméstica e sexual contra as mulheres dentro da Lei Maria da Penha no Rio de Janeiro. Segundo a delegada Gabriela Von Beauvais, quatro pessoas foram presas por crime de feminicídio. A operação da Polícia Civil tem como objetivo reforçar a importância da criação da Lei Maria da Penha, que completou 12 anos na terça-feira.

A operação contou com o apoio das Delegacias de Homicídio, Polinter e de vários departamentos da Polícia Civil. Ao todo, os agentes tentaram cumprir cerca de 50 mandados de prisão. “São ao todo 25 equipes nas ruas desde o início da operação. Somando, são pelo menos 75 policiais nessa operação em todo o estado do Rio de Janeiro.”, afirmou a delegada.

A Polícia Militar informou que só na última terça-feira recebeu 58 ligações com denúncias de violência contra mulher e pede que quem queira denunciar também, ligue para o 190 da PM.

“Me dói no coração falar disso, mas é importante lembrar que uma colega nossa, a delegada de polícia Tatiane, foi vítima de feminicídio. Isso pra vocês verem como é a dimensão da violência contra mulher. Essa violência é tão forte que atingiu até uma delegada de polícia. Por vergonha, muitas mulheres sofrem caladas e, infelizmente, nossa colega foi vitimada. O marido dela foi preso, estava cumprindo a pena e se matou dentro do presídio”, lembra a delegada.

Na noite de segunda-feira (6), o pintor Anderson da Silva, de 28 anos, foi preso após confessar ter matado asfixiada a esposa, Simone da Silva de Souza, de 25 anos, por causa de ciúmes, na casa do casal no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Ele cometeu o crime na frente do filho de três anos do casal.

Simone estava grávida de dois meses, e Anderson desconfiava que não fosse o pai da criança. O crime aconteceu na Rua Joaquim de Queiroz e, antes de fugir, Anderson deixou o filho na casa da avó e chegou a buscar na escola a segunda filha do casal. A polícia disse que menina está na casa de parentes dele, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Mas a criança ainda não foi devolvida à família de Simone.

Só no ano passado, foram 68 casos de feminicídio no Estado do Rio. Ou seja, a cada cinco dias uma mulher perde a vida, simplesmente, por ser mulher.

No Brasil, um homicídio motivado por ódio contra a mulher pode ter penas mais duras. Anderson vai responder pelos crimes de feminicídio e aborto e pode pegar até 40 anos de prisão.

 Rio tem 2º maior número de denúncias

A Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência recebeu 72.839 denúncias, que incluem relatos de violência sexual, homicídio, cárcere privado e outros, entre janeiro e junho deste ano. Os registros foram feitos por meio do Ligue 180, serviço criado pelo governo federal em 2005 para dar assistência às vítimas.

Os números sobre violência contra mulher foram divulgados pelo Ministério dos Direitos Humanos, na terça-feira.

Os dados dos primeiros cinco meses do ano correspondem a 47% do total registrado em 2017 (156.839). O governo destaca, porém, que, em alguns casos, houve um aumento do número de denúncias. Foram constatados os crescimentos de 37,3% nos relatos de homicídio e de 16,9%, de violência sexual.

Os estados de onde mais partem denúncias são São Paulo (9.863), Rio de Janeiro (9.317), Minas Gerais (6.499) e Bahia (4.813). Na Região Norte, houve o maior crescimento no número de denúncias: Amazonas, 34,8% a mais; Roraima, 34,6%; e Amapá, 6,1%.

Em 2017, ao lançar campanha pela humanização do parto normal, o governo passou a incluir a violência obstétrica entre os tipos de denúncias recebidas pelo Ligue 180. Nos cinco primeiros meses do ano, primeiro período em que o tópico é destacado em levantamentos do ministério, foram recebidos 40 relatos desses casos.

Comandado pela Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres, o Ligue 180 funciona 24 horas todos os dias, incluindo feriados e fins de semana. O ministro dos Direitos Humanos, Gustavo Rocha, diz que o objetivo do governo “é possibilitar que todas as mulheres tenham acesso a serviços públicos de qualidade, com preservação da dignidade e garantia de direitos, de forma a reduzir os índices de violência contra as mulheres”.

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