Estudo mostra que Rio tem subnotificação de feminicídios

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Apenas 3,7% dos assassinatos de mulheres no estado foram enquadrados nesse tipo crime
O Rio é o estado brasileiro com a menor quantidade de assassinatos de mulheres registrados como feminicídio. Apenas 3,7% dos casos de mulheres mortas em 2016 foram enquadradas nesse tipo de crime, de acordo do 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública que será divulgado nesta segunda-feira. Segundo os responsáveis pelo levantamento, o baixo índice indica que há subnotificação e que a polícia não está preparada pera lidar com a violência contra a mulher.
A Lei do Feminicídio, que trata de homicídio motivado por questão de gênero, foi sancionada em março de 2015. Assim, 2016 foi o primeiro ano completo de contabilização desses crimes. A média nacional de registro de feminicídio em relação ao total de assassinatos de mulheres é de 11,4%. Há, porém, estados com índices muito maiores. No Piauí, o percentual foi de 57,4%. Em Alagoas, 37,2% e no Distrito Federal, 35,6%. Em São Paulo, foram 10,3%.
“Tem sido desigual a aplicação do feminicídio pelos estados. Em São Paulo e no Rio, há claramente uma subnotificação. Isso mostra uma dificuldade de compreender esse tipo de crime e se repete em vários outros delitos relativos à violência contra a mulher”, afirma Samira Bueno, diretor executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Samira lembra que a Polícia Civil do Piauí criou um núcleo específico para investigar feminicídio. “Todo homicídio de mulheres passa por esse núcleo. Eles diferenciam os crimes para identificar os casos motivados por questões de gênero, com mulheres assassinadas por serem mulheres”, declarou.
O Anuário, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, também mostra que uma mulher foi morta no país a cada duas horas no ano passado, com um total de 4.657 casos. Houve uma pequena em relação 2015, quando foram contabilizados 4.845 homicídios de mulheres.
Explosão de latrocínio
O estudo também mostra que o Rio teve o maior aumento do país nos casos de latrocínio (roubo seguido de morte). O número passou de 131 ocorrências em 2015 para 225 no ano passado, um crescimento de 70%. No país, o aumento nesse tipo de crime foi de 58%, com 2.500 casos, ou sete por dia.
Outro dado constatado pelo Anuário é que os policiais do Rio são os que mais morrem no país. Em 2016, 132 policiais foram mortos no estado.

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